Mulheres ainda são avaliadas primeiro – e principalmente – por sua aparência, e não por suas atitudes e qualidades. Resquício de uma época na qual mulher não podia estudar nem trabalhar, a aparência feminina era fundamental para enfeitar o ambiente e se destacar. Porém, os tempos mudaram e hoje não faz o menor sentido adotar a aparência física como critério principal para a avaliação da vida de uma mulher, e de sua atuação profissional.
À medida que as mulheres passaram a obter vitórias políticas, conseguindo a igualdade jurídica, a discriminação foi deslocada para outros campos. E um tema que merece atenção é o da aparência feminina, pois envolve uma mudança no enfoque do corpo da mulher na mídia.
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Entre o conservadorismo e a autonomia
Em dezembro de 2011 ocorreu a 3ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres. Acompanhei a Conferência e escrevi sobre o que presenciei, analisando políticas públicas, conservadorismo e empecilhos para igualdade de gênero:
Em março do ano passado, a presidenta Dilma Rousseff convocou a 3ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres (CNPM), realizada em Brasília em dezembro de 2011. A Conferência tem vários objetivos: analisar a realidade nacional e os desafios para a construção da igualdade de gênero, avaliar e aprimorar as ações e políticas que integraram o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres e definir as prioridades para os próximos anos. A exemplo das edições anteriores (que ocorreram em 2004 e 2007), a 3ª Conferência provavelmente resultará no 3º Plano Nacional de Políticas para Mulheres, norteando o governo Dilma em relação a políticas de combate à desigualdade de gênero.
É necessário discutir qual o caráter das políticas a serem traçadas pela Conferência Nacional, para que elas não reforcem valores conservadores, acentuando a desigualdade de gênero.
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Os direitos das mulheres só existem quando o Estado é laico
Já faz alguns anos que tenho observado a ascensão religiosa e sua crescente interferência em leis e políticas públicas. Para combater isso, venho sempre reforçado a importância da laicidade do Estado para as políticas de direitos humanos, seja no blog, em conversas, em aula, e também quando participei da organização da 1ª Marcha do Estado Laico em Belo Horizonte.
No Dia Internacional da Mulher escrevi para a Revista Fórum um artigo analisando a importância do Estado laico para a conquista e manutenção dos direitos das mulheres.
Durante muito tempo as políticas de Estado para mulheres foram definidas a partir da visão religiosa de mundo, especialmente a cristã e, mais especificamente ainda, católica. Nessa perspectiva, as mulheres seriam inferiores e por causa disso deveriam se submeter eternamente ao marido (o divórcio era proibido) ou pai, e não poderiam ter direitos políticos. Casamento e maternidade eram tratados como as únicas formas possíveis de vida feminina. O direito à educação só deveria existir para treinar mulheres para a maternidade e administração do lar, pois se considerava que o trabalho intelectual impediria a gravidez. Com isso, as mulheres foram relegadas ao analfabetismo ou a uma educação escolar rudimentar. As mulheres que não se encaixavam nesse modelo (lésbicas, prostitutas, mães solteiras, mulheres separadas do marido, etc) foram (e ainda são) perseguidas tanto pela religião quanto pelo Estado.
O Estado laico pune quem discrimina mulheres, cria leis para garantir direito de voto, de estudar, de trabalhar e para diminuir a desigualdade de gênero. O Estado laico incentiva escolas mistas, seculares, com a mesma educação para meninas e meninos. O Estado laico vê as mulheres além da questão reprodutiva, criando políticas públicas de atenção integral à saúde (e não apenas ligadas aos órgãos reprodutivos). O Estado laico exclui das leis termos e posicionamentos pejorativos criados em uma época em que o Estado incorporava o preconceito religioso para separar as mulheres em duas categorias: as que seguiam o modelo religioso e por isso deveriam ser protegidas pelo Estado, e as que não seguiam a religião e por isso ficavam à margem da proteção estatal. Juízes em um Estado laico interpretam a lei de forma a não incorporar preconceitos religiosos.
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Dia Internacional da Mulher em Belo Horizonte
O Dia Internacional da Mulher é uma data de luta, e também de balanço das conquistas e retrocessos nos direitos das mulheres. Há atividades em todas as áreas do conhecimento, em todos os espaços. No Blogueiras Feministas tem uma lista de atividades e manifestações que acontecerão em diversas cidades brasileiras.
Aqui em Belo Horizonte destaco as seguintes atividades:
Teremos também o Ato Público pelo Dia Internacional da Mulher. Ele terá início na Praça da Estação a partir das 15h e seguirá com passeata e ações pelas ruas do centro de BH, terminando na Praça Sete.
Participaram da construção do 08 de março em Minas Gerais: Blogueiras Feministas, Obscena Agrupamento; ALEM; AMB; ANEL; Associação Cultural Odum Orixá; Brigadas Populares; CAAP/UFMG; CACE/UFMG; CACS/UFMG; Coletivo Ana Montenegro; Coletivo Marias de Minas/Lavras; Coletivo Nada Frágil; Coletivo “Paisagens poéticas”; COMDIM; Comitê Popular dos Atingidos pela Copa; Consulta Popular; CRESS/MG; Conselho Regional de Psicologia-MG; CSP-Conlutas; CUT-MG; Instituto Albam; Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania; Levante Popular da Juventude; MAB; Marcha Mundial de Mulheres; Movimento Mulheres em Luta; Movimento de Mulheres Olga Benário; MPM; MST; PCB; PCR; PSOL; PSTU; PT-BH; Primavera nos Dentes; Quilombo Raça e Classe; Rede Feminista de Saúde; Sind-REDE/BH; Sitraemg; UBM; UNEGRO, Via Campesina.
O NEPEM/UFMG organizou duas atividades: a defesa da tese de Ana Carolina Ogando sobre relações de gênero no Brasil e uma mesa-redonda com as professoras Neuma Aguiar e Marlise Matos:
Compareçam e participem! E, se souberem de outros eventos, deixem as informações aqui nos comentários.
Brasil: campeão da América do Sul em desigualdade de gênero
Em dezembro de 2011 publiquei na Revista Fórum um artigo analisando o resultado do Global Gender Gap:
Recentemente, o Fórum Econômico Mundial divulgou o relatório e ranking 2011 do Global Gender Gap, que mede o índice mundial de desigualdade de gênero. Dos 134 países estudados, o Brasil ocupa atualmente o 82º lugar.
Como em 2010 estávamos em 85º lugar, esta melhora no ranking seria um motivo para comemoração. No entanto, não há motivo para isso. Desde 2006, quando foi feito o primeiro estudo, que classificou o Brasil como 67º no ranking dos países mais igualitários, o que se viu foi a queda nessa posição: 74º (2007), 73º (2008), 81º (2009), 85º( 2010). Mesmo nos momentos em que houve uma recuperação mínima no índice, nota-se uma grande distância em relação ao resultado de 2006.
É importante ressaltar que o resultado atual (82º lugar) coloca o Brasil em último lugar da América do Sul…
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