Um dos boatos que mais me impressionou nessas eleições foi o que afirmou ser Michel Temer (candidato à vice-presidência) um satanista que mataria Dilma e, ao se tornar presidente, proibiria o funcionamento de igrejas.
O enredo se assemelha a uma novela ou filmes de terror de baixíssimo orçamento. De realidade, não tem nada. É um amontoado de boatos destinados a prejudicar as pessoas envolvidas e diminuir a confiança na democracia brasileira.
Sobre Michel Temer e satanismo
Michel Temer é católico, com vida pública há mais de 30 anos. Esconder satanismo durante tanto tempo é impossível: nos últimos 30 anos qualquer adversário político teve tempo e oportunidades suficientes para questionar Temer em público sobre essa questão.
Os boatos sobre Temer e satanismo são recentes, surgidos no início das discussões sobre sua possibilidade de se candidatar à vice-presidência, e tendo por base outros boatos relacionados a disputas entre grupos evangélicos.
Neste vídeo bastante explicativo, feito pela Folha Evangélica de Brasília, Michel Temer expõe suas crenças religiosas – e satanismo não se encontra entre elas.
A Constituição garante liberdade religiosa
Porém, a acusação mais grave – e completamente falsa – é a de que Temer, se tiver acesso à presidência, tomará a iniciativa de fechar igrejas. A Constituição de 1988 é bem clara em vetar esse tipo de postura:
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
Art. 5º [...]VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
Ou seja, o Estado brasileiro não só garante a liberdade de a pessoa ter religião como também protege os locais de culto e os cultos em si mesmos. O Estado também proíbe que uma pessoa perca direitos por motivo de crença religiosa.
Que fique bem claro: todas as leis brasileiras devem ser interpretadas e criadas de acordo com a Constituição. Se a Constituição afirma que estamos em um Estado que garante a liberdade religiosa, não é possível fechar igrejas ou retirar direitos de um pessoa com base na religião que ela professa.
É importante destacar que liberdade religiosa é uma cláusula pétrea da Constituição. Isso implica em afirmar que emendas constitucionais não podem modificar os dispositivos relacionados à liberdade religiosa.
Portanto, qualquer afirmação de que políticos eleitos fecharão igrejas e perseguirão religiosos é mentirosa e está sendo feita para tumultuar o processo eleitoral.
Parabens pelo texto! Muito bom!
A palavra de ordem neste pleito é a manipulação. Neste contexto, depois da votação expressiva da candidata Marina (estimulada pelo diálogo dos internautas) a Internet virou ferramenta política. O que nos obriga a repensar este veículo que, ao invés de contribuir positivamente, contribui, na verdade, com a desinformação. Já há um tempo tenho combatido (pelo menos no meu círculo de amizades) as correntes de e-mails com autoria desconhecida contendo supostos “alertas”, afirmando isso ou aquilo, quase sempre inverdades. Daí advem os equívocos todos e a difamação.
Parabéns pela proposta do blog, que estou visitando pela primeira vez.
Um abraço.
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Cyntia adorei as suas colocações.conhecemos a familia de michel é tradicionalissima católica e ele também. professor catedrático de direito constitucional na pontificia universidade católica de são paulo.homem reto,integro