Feminazi, Luis Nassif e a esquerda com atitudes machistas

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Ter atitudes machistas não é exclusividade da direita. Nesta semana aconteceu uma situação machista envolvendo o Luis Nassif, que é um blogueiro que se define como de esquerda e progressista. Vou expor a situação para que as pessoas que viram apenas os tweets e a hashtag #FeministaSimFeminaziNao entendam o que aconteceu.

Em um post do Luis Nassif um comentarista chamado André fez comentário, questionando se Dilma seria uma feminazi. A discussão prosseguiu com a comentarista Bárbara corrigindo André e explicando porque o termo era inadequado. Andre continuou a discutir, e escreveu um comentário imenso falando sobre as feminazis.

Luis Nassif optou por tirar de contexto o comentário imenso de André sobre feminazis, transformando-o em post e intitulando-o O poder das mulheres. Não fez nenhuma ressalva, nem observação a favor ou contra o post. Na tradição da blogosfera, isso significa que concorda com o que publicou.

Eu soube do acontecido via Google Reader. Como já vinha percebendo um aumento no uso do termo feminazi pela direita, e desta vez quem publicava e endossava o termo era alguém que se diz de esquerda, achei melhor retomar um rascunho antigo e publicar o post explicando o absurdo do termo feminazi. Enviei o artigo por e-mail para Luis Nassif, sugerindo publicação. Ele não o publicou (o que é um direito dele). Comentei com algumas pessoas que foi a primeira vez que vi feminazi sendo usado em um site de esquerda e lamentei muito o ocorrido.

A Bárbara publicou um post criticando o uso do termo feminazi, especialmente no caso Assange. A Lola publicou hoje um post excelente rebatendo ponto por ponto o comentário que virou post do André. No twitter, blogueiras feministas começaram a usar a hashtag #FeministaSimFeminaziNao. Muitas pessoas foram questionar Luis Nassif no twitter, e as respostas dele foram bastante debochadas ou evasivas. Cito algumas:

Não me agradou nem um pouco esse tweet. Primeiro, porque foi escolha do Luis Nassif tirar o comentário de contexto transformando-o em post, então ele que assuma a responsabilidade pelo post, com todos os seus efeitos positivos e negativos. Segundo, porque Luis Nassif apenas copiou o comentário, descontextualizando-o, sem fazer nenhuma ponderação ou crítica e passando a impressão de que tinha achado o post interessante e fundamentado. Não há nada no post que indique um estímulo à crítica por parte do Luis Nassif, dono do blog. Terceiro, porque se o objetivo era fazer com que André fosse criticado, ele está expondo um comentarista a escárnio e linchamento público, o que é bastante questionável.

O que me parece mais grave, no entanto, é a ideia de que apenas mulheres devem criticar o comentário de André. Direitos das mulheres não são só defendidos por mulheres, assim como direitos dos homossexuais não são só defendidos por homossexuais, a luta contra o racismo é tarefa de todas as pessoas e procurar diminuir a desigualdade social e a pobreza não é luta exclusiva dos pobres. Estamos falando de direitos humanos (e hoje é aniversário da Declaração Internacional de Direitos Humanos), que devem ser defendidos por todas as pessoas, e não apenas pelo grupo discriminado.

Luis Nassif deu tanta voz ao feminismo que mesmo tendo tido acesso ao meu post (por e-mail e por twitter), não o publicou. E ignorou a Bárbara, que fez comentários feministas e extremamente pertinentes durante a discussão que originou o post. Mais tarde, ainda desqualificou o post da Lola (ver abaixo).

Preciso mesmo comentar? Feminazi é um termo ofensivo e completamente errado, mas quem reclama é “mulher braba”. E, pelo visto, divertido mesmo é zombar de “mulheres brabas” ao invés de tentar entender o tamanho da besteira que fez ao ser o primeiro blogueiro famoso de esquerda a endossar o termo feminazi no blog.

Se não conhecia o termo, é porque sequer leu atentamente os comentários no próprio blog. A Bárbara, entre outros comentaristas, já havia avisado que o termo feminazi é inadequado.

A Juliane sugeriu que Luis Nassif lesse o post da Lola. Ele considerou tudo coisa de “barraqueira” e exigiu que uma pessoa educada escreva um post ponderado para ele publicar no blog. Ou seja, desqualificou de imediato o post da Lola, que rebate os pontos do comentário que virou post do André, não se dando sequer ao trabalho de tentar entender onde está o problema. E acabou por exigir post exclusivo, como se toda a discussão de hoje tivesse sido inútil.

Uma das coisas que lembrei ao Luis Nassif no Twitter foi que liberdade de expressão envolve também responsabilidade sobre o que se publica. Da mesma forma que na época do segundo turno avisei aqui que autor de blog tem total responsabilidade sobre o conteúdo que publicar, repito agora: não se deve publicar boatos, informações falsas e muito menos uma expressão mentirosa, manipuladora e ofensiva como feminazi. E bons jornalistas não devem ridicularizar as críticas, mas aprender com elas.

Atualização em 20/12/2010: quando escrevi este post, não imaginava que a história de horror teria continuação. Luis Nassif continuou no twitter com comentários extremamente agressivos às feministas (a Lola fez uma compilação desses comentários). Em seguida, Luis Nassif publicou um post denominado “O caso das ‘feminazis’” (expressão ambígua, pois pode se referir tanto ao comentário-post do André quanto à possibilidade de Nassif considerar quem o critica como feminazi). No post, Luis Nassif reclama do “patrulhamento” das feministas, inclusive expondo alguns tweets que considerou mais ofensivos (parte deles foi apagada depois, até porque não foram direcionados ao jornalista, mas se referiam à vida pessoal de uma das citadas). Em seguida, Luis Nassif transformou em post um comentário em seu blog que atacava a reputação de diversas feministas (inclusive as citadas no post de Luis Nassif) e organizações feministas sérias, como a Marcha Mundial das Mulheres; Nassif intitulou este post de “As facções do movimento feminista“, utilizando novamente um termo ambíguo e agressivo (facção é um termo usado regularmente para se referir a criminosos). Devemos lembrar ainda que nem todas as pessoas que criticaram Luis Nassif pertencem a determinadas organizações ou agiram como grupo. Até onde sei, todas as manifestações foram individuais.

No dia 19/12, Luis Nassif publicou “A nova blogosfera e o episódio com as feministas“, no qual procura se desculpar, mas reclama de patrulhamento, acaba falando do “episódio das “feminazi” (mostrando que ainda não entendeu a discussão) e cai nos estereótipos machistas ao dividir feministas entre “as de bom nível” e as agressivas (leiam o post da Lola, que faz uma bela análise desse artigo).

Outros posts da semana que passou e que abordaram o caso Nassif ou o absurdo do termo feminazi foram escritos por Srta. Bia, Paulo Cândido, Alex Castro, Idelber Avelar, Raphael Tsavkko, Ana Paula Diniz (com introdução de Maria Frô), Marília Moschkovich.

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  1. Cynthia, só estou voltando agora ao computador (meia noite e meia), e nem sabia que Nassif tinha me chamado de barraqueira. Obrigada pelo resumo muito pertinente, que representa um excelente registro do que faz um blogueiro-estrela ao ser questionado. Sandálias da humildade pro Nassif! Ele tinha mil e uma maneiras de lidar com as críticas: podia admitir o erro, podia pedir desculpas, podia publicar o seu post, ou o meu (o seu certamente está mais educado), podia dizer que sente-se intimidado com o feminismo, mas que deseja aprender para tentar mudar. Mas não. O jeito que ele enfrentou a situação foi desqualificando quem criticou. Impressionante! E vc falou muito bem: ele está fingindo que combater o machismo (a que ele deu destaque no blog dele) é papel das mulheres “brabas”, não dele ou de outros homens. E não tinha me dado conta que o blog dele foi o primeiro “progressista” a publicar o termo feminazi. Mas parabéns, Nassif. Hoje vc se equiparou a seu pior inimigo na blogosfera, Gravataí Merengue. Ele sim usa “feminazi” direto, principalmente contra mim, esta barraqueira que já te defendeu contra ele. Não mais. Vejo que a opinião dos dois sobre feministas, e, óbvio, sobre mulheres em geral, é bastante parecida.

  2. Cíntia, sua fofa. Obrigada pelo extenso registro da questão. Sabe que durante as eleições o Nassif já deu suas escorregadas, para ser simpática. Disse que (quem defende o aborto) “desconsidera que existem duas outras vidas envolvidas, a do homem e a do feto”, isto em plena campanha da direita contra a primeira presidente mulher. Não foi comentário não. Foi uma postagem. Na época falei por e-mail com ele e tentei dizer que não falasse levianamente de assuntos que não domina. A resposta foi um mais ou menos, nem desculpa, nem nada. Acho que ele carrega hábitos de macho alfa meio arraigados. Parece não conseguir se submeter a uma crítica. Talvez o blog dele faça tanto sucesso não só pelas qualidades que tem, mas pelos defeitos também (a pessoa defendendo uma posição ‘progressista’ em economia tem carta branca para todo tipo de asneiras). Para ficar só em alguns pontos, porque são realmente muitos. Acho o modelo de blog dele altamente questionável, mas tenho minhas dúvidas se o L. C. Azenha, do Viomundo, é melhor, já que classificou como ‘ciumeira’ a reclamação sobre a falta de mulheres na entrevista do presidente Lula, e já que no meio da campanha presidencial publicou um post dizendo que ‘feministas (era) de uma nota só’. basta olha você, a Denise Arcoverde ou a Lola para perceber que vocês não tem como único objetivo ‘procurar pêlo em ovo’ e que vocês tem uma visão progressista abrangente e feminista.
    Vixe… já estou me alongando, né? Acho que no final isto tudo – de maneira análoga ao que acontece com o wikileaks – só corrobora o que sempre desconfiamos: que temos que batalhar pelo nosso espaço, por respeito mínimo. Meu sonho é entrar em blogues progressitas e não sentir que lá sou carne de vaca como no restante da mídia (ou PUMM, Partido Unificado da Mídia Machista, segundo Luiza Erundina).

    Abração.

  3. a velha tática de ignorar a existência de blogs de autoras, desqualificar os textosescrito por mulheres a priori e depois dizer que ué, mas só existem blogs de homens…isso porque são progressistas, néam.

  4. Oi Cynthia, gostei demais do teu blog e dos teus textos (descobri através do blog da Lola). Muito bom este post, e que grande decepçao a postura do Nassif nesta coisa toda. Eu nao estava preparada para ver uma atitude tao machista neste tipo de blog “progressista”. O pior foi ter chamado as meninas que responderam de barraqueiras… Que decepçao.
    Mas o teu post e teu blog sao nota dez. Obrigada, Cynthia!

  5. O mesmo de sempre, não? Homem falando está argumentando, está usando a lógica, está sendo irônico, blábláblá…
    Mulher falando e principalmente reclamando está sendo histérica, barraqueira, mal educada, sendo emotiva, blábláblá…

    Já cansou. E muito.

  6. Nassif, Azenha, PHA são todos representantes da “velha midia”, com todos os seus preconceitos, machismos e estrelismos, vieram parar na internet e nos tais “progressistas” por pura conveniência, sem nem entender bem como isso funciona.

    Ainda acreditam que tem as suas colunas de opinião, de “formadores de opinião” onde todos devem ouvir e seguir seus mandamentos passivamente.

    Nassif ainda se intitula “Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país.”, oi? Tem gente muito melhor, muito mais ligada, trabalhando a muito mais tempo na internet e sem usar “colaborações gratuitas” (leia se trabalho de graça) pra ganhar grana na internet.

    Os movimentos de esquerda sérios, o pessoal que fazia parte do blogleft, as feministas, os grupos por igualdade social não deveria se associar a esses nomes pra não serem usados como simples massa de manobra na hora que lhes interessa.

  7. Pingback: Feminazi, Luis Nassif e a esquerda com atitudes machistas | Ofensiva contra o machismo

  8. Muito bom esse debate. Agora, sou só eu que to sentindo falta da participação de pessoas do sexo masculino? Parece q defender o feminismo não é uma causa que os mobilize, o que só confirma a ideia de q “progressista sim, feminista nem tanto”.

  9. Esse comentário era para este post, mandei por engano para o do ‘feminazi’ -mas ñ deixa d caber também lah-, desculpa-me.:

    Ai q nojo!. Olha, desanima demais, uns episódios como esse. Um jornalista respeitado dar espaço a um cara q fala tanto desatino, tanto descalabro! isso gravíssimo. O discurso influencia o ocmportamento! Eu fico doidinha. E esse negócio d q estah usando um termo descabido soh para facilitar, eh mto ilustrativo da importância q dão à luta contra o machismo. Qalqer coisa relacionada a mulher eh bobeirinha, fricote, chiliqe, frescura, então, por qe se preocupar em usar terminologias adeqadas, respeitosas?
    E esse negócio do ‘provocar mulher braba’ eu ñ sei se choro ou rio, se fico aliviada ou mais atormentada. Porqe se um cara q fala uma coisa dessas pra mim vem logo a imagem dum burro chucro q ñ merece a menor atenção, ñ tem a mínima relevância. E bem, se trata disso, sim. Mas no mundinho em q vivemos, um ser desse tem o crédito e o espaço q tem.
    Dah vontade d deitar e chorar, mas eu vou ali falar disso, porqe a gente teima em ñ desistir, em ñ perder a força.
    Valeu e beijo

  10. Só para complementar, meu tuíte ao nassif completo foi:

    puxa, @luisnassif lamentável vc dar espaço para um comentarista machista…tá querendo concorrer com a folha no quesito vergonha press?

    Acho q até agora ele não percebeu como se igualou ao antigo empregador…

  11. Nassif,

    Como mulher e sua seguidora, estou bastante decepcionada. Eu, que o considerava um jornalista sensato, o oposto de toda essa mídia, escrota, preconceituosa e racista, como você mesmo costuma criticar, chamando-a de PIG, me sinto traída, ao concluir que você é medíocre igual a tantos outros que pululam na mídia. Então, nós mulheres não fazemos parte de seus discursos, somos seres inferiores que não merecemos respeito??? Devo concluir, então que o apoio a Dilma era só fachada, sendo apenas politicamente contrário à Serra? ela não merece respeito por ser Mulher e chegar ao posto mais alto da nação como chegou? E como você, um jornalista tão admirado, dá espaço em seu bl0g, para um cara com idéias tão distorcidas e ofensivas, dirigido a um grupo expressivo da sociedade, as Mulheres? O pior é que o cara nem constrói um texto embasado, me parecendo um sujeito bastante burro. Cadê o filtro?? Nessa horas, não vale? Não volto mais a acessar esse blog, a não ser que você mude e reconsidere seu discurso acerca das mulheres.

  12. Luiz Nassif errou feio nessa, ELE NÃO TEM razão, mas é claro que não pedirá desculpas.

    Só lhe resta bater de volta. Nisso ELE TEM razão.

    É que aceitar publica ou privadamente algumas argumentações falhas é um aval que ninguém razoável dá. Parece mais interessante lutar do que ter razão. É isso. E não é pouco.

    Aquilo? Foi retirado pela autora após 1 minuto de diálogo. Ela propôs pagar as custas. Aceitei. O equívoco não foi meu. Mas, se as pessoas fossem outras, tudo se agravaria, claro.

    Bj.

  13. Olá, Cynthia, deixa eu meter minha colher nesse imbróglio.
    Que eu me lembre o Nassif nunca se definiu como de “esquerda ou progressista”. Quanto a este último rótulo, acho que ele até já manifestou desconforto. Aliás, o Nassif nunca foi de esquerda, ele é, isso sim, um comentaristas econômico não monetarista – o que de certa forma, dentro do pensamento único dominante na imprensa, o joga para a esquerda.
    Acontece que a caçada mainardiana contra todos os jornalistas não anti-lulistas o desalojou do centro e ele foi recebido, reposicionado no campo da esquerda.
    Agora, quanto ao machismo, ele precisa aprender, todos precisamos aprender. Sandálias da humildade não fazem mal a ninguém.

  14. Parabéns pela coragem e pelo texto. De minha parte só cabe um comentário reparador, pois vejo você cometendo o mesmo erro que muitos que escrevem em blogs atualmente cometem:
    Desde quando o Nassif é de esquerda? Esta não é e nunca foi a trajetória do famigerado jornalista que sabe surfar como ninguém.

    Atenciosamente,
    Deusdédit R Morais

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  19. Muitos anos atrás abriu-se um debate interno no Partido dos Trabalhadores. Parte dos militantes exigia a expulsão de um filiado. Tratava-se de um militante negro, que se destacava pela sua atuação no “movimento negro”. A razão da discussão? Veio a público que tal indivíduo tinha por hábito espancar sua esposa, inclusive durante a gravidez. As militantes feministas exigiram a sua saída do partido, enquanto muitos militantes homens, principalmente os ligados aos movimentos negros, o defenderam, alegando que sua relação com a esposa era assunto de “foro íntimo”, e destacando o importante papel desse filiado como militante. Não faltou quem dissesse que ele estava sendo vítima de preconceito (esqueceram que a esposa agredida também era negra).
    Por que estou mencionando essa história? Já ouvi feministas com discurso anti-semita, militantes campesinos atacando demandas feministas, operários com discurso revolucionário e idéias racistas, e ecologistas insensíveis às demandas proletárias. Não me surpreendo com “progressistas” defenderem idéias retrógradas quando saem do campo de seu interesse imediato. Qualquer pessoa, por mais que seja oprimida e que lute contra a opressão, pode também se tornar um opressor.
    Eu não conhecia o termo “feminazi”, e depois de me informar passei a considerar que realmente Nassif cometeu um grande erro ao publicar de forma acrítica aquele comentário, e um erro maior ao silenciar diante da polêmica. E é por isso que não concordo quando vejo Nassif reclamar de “patrulhamento”. Devemos, todo o tempo, lembrar um ao outro nossa existência e nossas necessidades.

  20. Concordo com seu post, só discordo de uma coisa: Nassif nunca se disse de esquerda e nunca foi, você está enganada e os internautas que assim pensam tambem.

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  23. Cynthia:
    admiro você, de perto/longe, i. é eu a leio mas nunca escrevi um comentário, pois acho que vc é tão criteriosa quando escreve que, na maioria das vezes, só deixa campo mesmo para o elogio, o que muitas vezes pode parecer adesão irrefletida ou menos empenho em discutir o que se elogia.
    Hoje, porém, como sempre eu quase ia saindo sem me dar conta de algo, que por tão claro na nossa cabeça corre o risco deser algo took for granted. É o que vou realçar aqui:
    “O que me parece mais grave, no entanto, é a ideia de que apenas mulheres devem criticar o comentário de André. Direitos das mulheres não são só defendidos por mulheres, assim como direitos dos homossexuais não são só defendidos por homossexuais, a luta contra o racismo é tarefa de todas as pessoas e procurar diminuir a desigualdade social e a pobreza não é luta exclusiva dos pobres. Estamos falando de direitos humanos (e hoje é aniversário da Declaração Internacional de Direitos Humanos), que devem ser defendidos por todas as pessoas, e não apenas pelo grupo discriminado.”
    Ninguém poderia dizer e sublinhar a verdade disso de uma forma melhor.
    Muito obrigada,
    abs

  24. Cynthia – Por favor, você poderia me dizer o que é ser feminista? Pergunto por ignorância mesmo, não é para criticar nem nada.

      • Cynthia, fiz lá o teste é claro que as respostas são positivas. Mas mesmo respondendo sim àquelas questões não entendo como isso possa ser feminismo. Aquilo lá é apenas bom senso. Muitas daqulas perguntas servem também para outras “minorias”.

        Uma coisa que não me deixa muito a vontade com certas definições (feministas, movimento negro, GLS etc.) é que transformam algo que deveria ser universal em uma demanda de um certo grupo de pressão.

        Entretanto, entendo que “bom senso” talvez não esteja na cabeça de todos.

      • Hoje é bom senso. Mas 100, 50, 20 anos atrás não era – foi (e ainda é) necessária muita luta e muita discussão para que essas demandas se tornassem direitos para os grupos discriminados. E daqui a 100 anos vão virar e dizer “esse povo de 2010 se achava esperto mas também não tem bom senso”, pelo tanto de coisas que faltam melhorar. Mudar a mentalidade (ou “implantar o bom senso”) demora mais do que mudar a lei, e só ocorre por causa de grupos de pressão. Desde 1940 o Código Penal pune lesão corporal independente do sexo da vítima ou do agressor (mentalidade universalista); mas quando a vítima é mulher e o agressor é um homem com quem ela tem relação afetiva (pai, marido, irmão, namorado), ninguém queria aplicar o Código Penal. Precisou da Lei Maria da Penha pra dar destaque à impunidade dessa desigualdade de gênero e forçar a punição do agressor. Mesmo assim, a aplicação da lei ainda está complicada…

  25. Pingback: A busca incansável por um feminismo dócil | ESTADO ANARQUISTA

  26. Muito prazer Profª Cynthia. Fiz o teste, percebi que sou feminista e só tomei conhecimento do termo Feminazi naquele POST do cidadão lá, postado no Blog do Nassif..Achei o POST o resultado de uma mente de um homem frouxo que não sabe o que faz com sua masculinidade…
    Sou plenamente a favor da igualdade e do respeito às diferenças…No entanto eu achei exagerado o barulho de ambas as partes neste debate todo.. Enquanto o pessoal perdeu horas de serviço discutindo se o Nassif é ou não progressista e se é ou não machista, a etimologia do termo e outras amenidades, umas 5 mil mulheres foram agredidas, violentadas, assassinadas, humilhadas, isso tudo passou batido pela blogosfera e neste contexto o que eu sugiro é que as pessoas unam forças a favor da proteção em relação a violência de gênero…Creio que em todo o tipo de movimento há radicalismos e , perdoe-me o exagero, muita gente que se acha dona da verdade absoluta e indiscutível, sendo que não é…Já assisti militantes em programas de TV que discutiam o aborto que me deixaram literalmente enojado, pois tratavam a questão como se fosse a mesma coisa que tratar uma unha encravada e como se a mulher fosse um ser isento de responsabilidades, eternas vítimas da maldade contida na testosterona….Fica a sugestão para um FÓRUM, um programa de TV, e de outros encontros que poderiam por todos os envolvidos na mesa de debates….

  27. Cynthia, importantes ponderações, concordo em quase tudo com você, mas para não ser injusto, aviso: o Nassif colocou num post dele um link para o seu texto sobre o famigerado termo (já falado e que não vou repetir). Aliás, foi por meio do Nassif que descobri o seu blog. Concordo que achei a atitude dele machista, mas isso não desqualifica tudo o que ele faz. É um jornalista importante, deu uma contribuição para o avanço desse País num rumo mais democrático… e é machista. Ou ao menos carrega alguns ranços machistas. Isso é algo a se trabalhar, não?

    Posto que ele não é um extremista radical de direita, a la Tea Party (louco para quiemar mulheres em praça pública), talvez seja possível, seja melhor, aproveitar os espaços e dialogar nesses fóruns “ditos” progressistas. Estabelecer uma luta contra erros e preconceitos em lugares de convivência possível, mas onde ainda campeia o machismo. E evitar certas generalizações como “São todos machistas…”, “nenhum presta…” etc.

    Abraços.

    • Cristiano, o link para o meu post só veio depois que a confusão estava formada, quando ele fez o primeiro post sobre o caso. Eu não tenho tempo para participar de fóruns, mas sei que outras feministas que participam do espaço do Luis Nassif, e continuarão participando depois do fatídico episódio. Das generalizações que você citou, a única que eu faço é a de que somos todos machistas, as demais eu repudio. Digo que somos todos machistas porque vivemos em uma sociedade machista, somos educados para sermos machistas, e temos de aprender a não sermos machistas para sermos mais livres.

      • Ok. Existe algum botão curtir comentário no seu blog?

        Valeram os esclarecimentos. Abraços.

  28. Cynthia!

    Eu sou do grupo das blogueiras feministas e vi por lá você falando que é do Direito e vê o quanto esse ambiente é machista. Eu não quis abrir um novo tópico relacionado a isso lá, mas gostaria de saber se tu sabes se tem algum estudo relacionado ao machismo no Direito, algum texto, qualquer coisa… Sou do Diretório acadêmico da minha universidade e queria trazer essa discussão pro curso.

    Obrigada,

    Bruna.

  29. Olha, quanto a discussão em geral vocês têm bastante razão e o Nassif está, para qualquer pessoa atenta, errado.

    Mas tenho que fazer uma ressalva.

    Tenho, desde que a internet 2.0 explodiu, sido voz solitária na blogosfera, constantemente censurado, ignorado, ridicularizado, tratado como troll e coisas do tipo.

    O assutador é que esse não é um artifício usado apenas pelos “direitistas”, “conservadores” e tantos outros rótulos simplistas. O assustador é que as pessoas que SE DIZEM progessistas são as que mais valem-se dessas cortinas de fumaça.

    É muito saudável o “patrulhamento” de quem vive do dicurso mais do que das atitudes, porque como diria um notável “conservador”, Milton Friedman: “um erro das pessoas é acreditar que num sistema de fiscalização quem fiscaliza está acima do bem e do mal.”

    Continuem “patrulhando” e sendo “patrulhadas” para o bem da liberdade de expressão e do florescimento das verdades e fatos em detrimento de opiniões odiosas, dissimuladas e interessadas.

    Abraços.

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  35. Eu achei importante o comentário do Sérgio, pois apesar de ser uma conversa velha, ela anda meio esquecida em tempos de pós-modernidade.
    O Nassif ser de esquerda ou não não chega a ser uma questão central aqui. A questão, me parece, é: ser de esquerda significa ter noção do problema de gênero? Para nós, que temos descontruído o discurso dominante em nosso dia-a-dia, sim. Mas o buraco é muuuuuito mais embaixo. Na conversa dos blogueiros com Lula, como lembrou o Idelber, quase só tinha homem. E nem adianta vir aqui dizer que as mulheres não metem a cara na política, por isso precisaram de cotas. Nos blogs as mulheres são hiper atuantes.
    Aqui a gente percebe menos a desqualificação, e prossegue. Mas ela está aí, na esquerda, na direita, na favela e na universidade.
    E o Nassif foi um bobão, no meio de um monte de bobões!
    Eu gostaria de aproveitar o “senso de humor” que estes homens apregoam e perguntar a eles… se vocês reclamam tanto que entre as feministas existam tantas lésbicas, porque não ajudam a gente a gostar mais de homem?
    (Eu ainda circulo em meio a homens que não têm esta preferência irritante por “mulher braba”, e por isso gosto muito deles)

    • Só uma coisa mais. Quando falei de o assunto estar esquecido hoje, é que tenho a seguinte impressão: ou se acha que esquerda e direita são machistas porque a coisa é inerente ao discurso etc, e ficamos no impasse da pós modernidade, sem ter pra onde correr e trazendo tudo pra escala do indivíduo no fim das contas, ou, quem insiste em ser de esquerda (leia-se: não desiste da política, do caminho coletivo, de imaginar e lutar por outro mundo e outra sociabilidade) acaba achando que todo o trabalho mental e pedagógico já foi feito. Assim, engajamento ideológico seria, no limite, apenas uma questão de opção, dentre outras tantas: e nisto acabamos nos assemelhando aos pós-modernos.
      Por isso, às vezes acho que o caso é mesmo retomar uns velhos bordões, a despeito de toda a evolução do pensamento.
      Tipo Alexandra Kollontai, anos trinta, mesmo, “o novo mundo passa pela construção do novo homem e da nova mulher” etc etc etc.

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