corpo
Dia de Amar o Seu Corpo
Wednesday, October 21st, 2009 | blogagem coletiva, corpo | 7 Comentários
Nos Estados Unidos, a organização NOW (National Organization for Women) está convocando um Dia de Amar o Seu Corpo (Love Your Body Day), com discussões sobre corpo e autoestima. No twitter, a tag é #lybd. Quem fizer post, por favor coloque o link no Duplamente Venusiana, que será o nosso índice.
Embora eu já tenha escrito muito sobre corpo e auto-estima, inclusive em artigos acadêmicos, ainda me surpreendo como o assunto é delicado, especialmente para as gerações mais novas. Cada vez estamos mais expostas a imagens manipuladas que divulgam apenas um ideal de beleza praticamente irrealizável para 99% das mulheres, e talvez por isso mesmo, a maioria de nós está cada vez menos à vontade com seus corpos, sentindo-se inadequada.
A diversidade é o nosso maior trunfo de beleza, e precisa ser enfatizada e valorizada. Ninguém é igual a ninguém, e são essas diferenças que nos tornam únicas e maravilhosas em cada fase da vida. Envelhecer, ter filhos, cicatrizes, não nos torna feias. Mas, pra compreender isso, é preciso gostar do próprio corpo, da própria história, aprender a conviver e admirar corpos diferentes, e valorizar as histórias de vida que marcaram os corpos.
Nessas horas, sempre me lembro de um artigo da Gloria Steinem (escrito em 1981!) descrevendo a experiência de estar em um spa com outras mulheres, e como isso a fez perceber a diversidade e a beleza dos corpos femininos. Como poucas pessoas conhecem o artigo de Gloria Steinem, vou colocá-lo abaixo, após o link. Vale a leitura! › Ler Mais
Minhas observações sobre o lingerieday
Tuesday, July 28th, 2009 | corpo | 20 Comentários
Na última 4ª feira, lançaram no twitter a campanha #lingerieday, que estimula as mulheres a usarem fotos de lingerie no avatar do twitter. A campanha foi bastante criticada, inclusive por mim. No dia seguinte, conforme avisei no twitter, viajei para Brasília, para palestrar e participar do Seminário Preparatório para a Conferência Nacional da Comunicação, organizado pelo Conselho Federal de Psicologia. Portanto, acabei não acompanhando os desdobramentos do #lingerieday no twitter e na blogosfera. Agora, ao retornar, estou chocada com o que encontrei.
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Roupas também são uma forma de opressão
Saturday, June 27th, 2009 | corpo, direitos | 80 Comentários
Existe uma coisa que eu sempre comento com amigas/os e alunas/os: mulheres são tão seres de segunda categoria em nossa sociedade que são tratadas como propriedade de um homem o tempo todo.
Em nossa cultura, como até 50 anos atrás as mulheres estavam juridicamente vinculadas ao pai ou ao marido, era nítida a questão da mulher como propriedade masculina. Não só o direito consagrava tal status, mas também as religiões, e as convenções sociais.
A lei mudou (hoje vige a igualdade entre os sexos), mas as questões culturais e religiosas continuam presas aos moldes antigos, mantendo uma espécie de acordo tácito: mulheres são propriedade de um homem, e um homem de respeito não deve se meter na propriedade alheia.
Pra isso, é necessário um código que defina a propriedade. Alianças de casamento (que só recentemente passaram a ser usadas por homens também), tratamento cerimonioso com colegas do sexo feminino que sabidamente sejam casadas ou comprometidas, “brincadeiras” sobre a necessidade de vigilância constante das mulheres casadas para que não pulem a cerca, e roupas e atitudes desejáveis para cada estado civil.
O controle sobre as roupas é o mais sutil, e parece estar meio em desuso, mas ainda é efetivo. › Ler Mais
Uma categoria infeliz – emenda pior que o soneto
Friday, March 6th, 2009 | corpo | 1 Comentário
Ainda sobre o concurso ridículo da webmusa, vejam que pérola a organização publicou agora:
UPDATE 3 – Em virtude de mais alguns questionamentos, agora levantados por alguns blogueiros a respeito da categoria webmusa, gostaríamos de dizer que a mesma foi definida de acordo com o perfil da PIX, de DIVERSÃO DIGITAL (fun, entretenimento). A categoria, quando retirada do contexto geral da premiação ou utilizada em uma discussão mais profunda sobre o papel da mulher na sociedade, ganha dimensões que não fazem parte do DNA da PIX.
Quem escreveu isso não percebeu que a categoria webmusa tem de ser, e está sendo, analisada exatamente no contexto da premiação. Em todas as demais categorias, o que importa é um ato praticado (seja ter blog, seja ter criado/participado de algo que teve repercussão). Na categoria webmusa, importante é informar o estado civil e a idade das indicadas. Segundo e-mail da organização, não importa o trabalho desenvolvido, desde que a indicada seja uma “guria gata/gostosa/simpática da internet“.
Ou seja: “diversão, fun, entretenimento”, pra organização do concurso, significa vincular mulheres à aparência. Diversão significa eleger homens competentes e mulheres objetos. Divertido é só ver os corpos das mulheres, classificá-las pelos corpos e insistir sempre para que sejam apenas e primeiramente catalogadas como objetos.
Isso já estava implícito nas categorias do concurso. Mas é surpreendente ver que a organização, ao receber as críticas e tentar rebatê-las, apenas reforçou sua posição: mulher é o tipo de ser humano que só serve pra diversão. Isso não é modernidade. Isso é voltar ao século XIX.
E dizer que as críticas foram feitas por blogueirOs é esconder a verdade: as críticas foram feitas por mulheres blogueiras. Basta ver os comentários de repúdio no blog da premiação. Linguagem inclusiva é fundamental para evitar discriminação, mas essa é outra coisa que a organização do concurso ainda não entendeu.
Uma categoria infeliz
Thursday, March 5th, 2009 | corpo | 5 Comentários
A Ju Sampaio me avisou de um concurso de blogs bastante exótico. Fizeram listas de finalistas para diversas categorias. Duas delas são impressionantes, e estão listadas assim no site:
FINALISTAS – WEBMUSA 2008: A menina mais gata/gostosa/simpática da Internet brasileira.
FINALISTAS – BLOGUEIRO DO ANO: Blogueiro brasileiro que tenha assumido um papel relevante na sua área de atuação
A polêmica está na categoria webmusa. Por que limitar as mulheres à estética? Por que colocá-las em fotos produzidas? Por que chamar mulheres de meninas? Por que só usar critérios sociais? Por que mencionar idade? Por que mencionar estado civil? Por que não focar no que as mulheres escrevem?
E colocar essa categoria esdrúxula de webmusa antes da categoria blogueiro foi o maior ato falho que já vi: mulheres para enfeitar o mundo, homens pra mostrar conteúdo. Tudo em sequência, pra deixar bem claro o lugar e o tipo de importância de cada um.
É impressionante como muitas pessoas não perceberam que não é “natural” a inclusão de uma categoria voltada à aparência feminina em um concurso. Isso é reflexo de uma sociedade que só enxerga a aparência das mulheres, dando pouco valor ao trabalho que desenvolvem.
Vi alguns comentários sugerindo a criação da categoria webmuso. Esse recurso não atenuaria o machismo nem mudaria o fato de que as mulheres são sempre analisadas primeiro por sua aparência (ela é bonita e, oh!, competente), enquanto os homens teriam o privilégio de ter mais uma faceta para serem vistos (bastava ser competente mas, olha que interessante, é bonito também). Para eles, estética é um bônus. Para elas, é uma obrigação. Ou seja, continua havendo uma desigualdade, e as mulheres continuam sendo tratadas principalmente como objetos.
Devido às críticas recebidas, foi incluída uma atualização afirmando que a categoria não foi exclusiva para homens, e que até tinha blogueiras como pré-finalistas, mas elas não conseguiram votos suficientes para chegar à final. Apenas confirmaram a situação atual das mulheres na sociedade: elas só conseguem se destacar pela aparência e por alguns trabalhos isolados.
Na semana que antecede o Dia Internacional da Mulher, isso é nada mais, nada menos, do que a prova de que ainda temos muita coisa pra mudar.
Quer começar a mudança? Aprenda a tratar a beleza feminina em público. Não quer mudar? Então pense no que você vai falar no dia 08 de março e veja com qual machista você se identifica mais.
Também falaram (e bem melhor que eu) sobre esse concurso: Lola | Mary w. | Duas Fridas | mais Lola
Outubro rosa: depoimentos
Tuesday, October 21st, 2008 | blogagem coletiva, corpo | 2 Comentários
O slogan do Outubro Rosa: “não aceite informação pela metade”, tem de valer também para relatos. De pouco adianta falarmos apenas de pesquisas, estatísticas, exames e cientificidades, se não houver o contraponto dos relatos. São eles que mostram o quanto pesquisas, estatísticas, exames e cientificidades são modificados de acordo com personalidade, estilo de vida, trabalho, família e amigos da paciente, tornando cada tratamento único.
Segue, então, uma lista de depoimentos de quem já teve câncer de mama, e como foi sua recuperação, para que a gente aprenda a conviver com diversas reações e realidades:
- Daniela, do blog Enzimas Virtuais
- Irene Yovanos
- Maria Aparecida Andery Vilela
- Gilze Maria Costa Francisco
- Mirian
- Antonieta Barbosa
- O depoimento da Patrícia Pillar que circula em sites, emails e youtube é falso e se refere à doença de Paget, que é um tipo de câncer de pele.
- Diversos depoimentos no site Câncer de Mama
- Grupo da mama
- Depoimento na novela “Páginas da Vida”
Para mais posts sobre o Outubro Rosa, veja os links no Luluzinha Camp.
Outubro rosa: cabelos e auto-estima
Tuesday, October 7th, 2008 | blogagem coletiva, corpo | 6 Comentários
Alguns anos atrás, aprendi na prática a importância dos cabelos para uma mulher: um problema hormonal teve queda de cabelos como efeito colateral. Não fiquei careca, mas a escassez foi bastante perceptível. Na época eu era bem mais “cheguei” que hoje, usava cabelos bem vermelhos (num tom semelhante ao do Michael Amott), e estava acostumada a ser reconhecida pela aparência. Meu maior medo era ouvir algum dos médicos me mandar parar de pintar os cabelos, pois seria um golpe muito forte na minha identidade. Ainda lembro da angústia e do frio na barriga a cada consulta, esperando a ordem fatal que, felizmente, nunca veio.
Lembrei dessa minha história ao pesquisar sobre câncer de mama e ler o impacto da queda de cabelos por causa da quimioterapia. Minha quedinha de cabelos por efeito colateral é microscópica perto do que as pacientes passam, pois sofrem duros golpes em dois pontos altamente ligados à feminilidade (os seios e os cabelos), minando sua auto-estima. Tudo o que puder ser feito para minimizar esses impactos e permitir o máximo de tranqüilidade para se concentrarem no tratamento é muito bem-vindo e merece ser divulgado.
É por isso que adorei o post da Lili sobre banco de perucas, e o da Lady Rasta divulgando um trechinho maravilhoso da série “Sex and the city” (que eu nunca acompanhei). Não vou descrever o vídeo, apenas digo que é emocionante e vale muito a pena assisti-lo.
Para mais posts sobre o Outubro Rosa, veja os links no Luluzinha Camp.
Atualização em 14/10: ainda sobre câncer e cabelos, não deixem de ler estes posts maravilhosos da Lady Rasta.
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Cynthia Semíramis
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