Finalmente, nova edição de “O Segundo Sexo”
Monday, June 15th, 2009 | datas, livros
Graças a um aviso da Srta. Bia no twitter, ficamos sabendo que a editora Nova Fronteira acaba de relançar O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir. Desta vez, em volume único.
Hazel Rowley descreve o impacto do lançamento de O Segundo Sexo:
O primeiro volume de O Segundo Sexo saiu em junho de 1949. A reputação escandalosa de Beauvoir estava selada. Até o título do livro chocou as pessoas. Ao falar abertamente sobre o corpo feminino e a sexualidade feminina, Beauvoir quebara tabus importantes. Estava sendo considerada ainda mais chocante que escritoras que se vestiam de homem, suas precursoras George Sand e Colette.
Beauvoir foi severamente atacada. “Insatisfeita, fria, priápica, ninfomaníaca, lésbica, a mulher que fez mais de cem abortos, eu era tudo”, diz ela, “até mãe descasada”. Ela recebeu centenas de cartas. As pessoas lhe diziam que o problema dela é que não acreditava em Deus. Algumas se ofereciam para curar sua frigidez. Outras ofereciam, nos termos mais grosseiros possíveis, saciar seus apetites labiais. O Vaticano pôs o livro no índex. O escritor católico conservador François Mauriac disse a um membro do conselho editorial da Les Temps Modernes: “A vagina de sua empregadora não tem segredos pra mim.” Até Camus achou o livro grotesco. (”Camus (…) um homem mediterrâneo, cultivando o orgulho espanhol (…) acusou-me de fazer o homem francês parecer ridículo.”) O fato de Beauvoir ter discutido o aborto foi particularmente chocante. Como ela e Sartre haviam ambos escrito sobre o aborto em sua ficção, as pessoas já chegavam na redação da Les Temps Modernes pedindo endereços. A secretária colocara um cartaz: FAZEMOS NO LOCAL, PESSOALMENTE.
Algren chegou no auge disso tudo. Beauvoir e Sartre quase já não iam mais a cafés; as pessoas os atormentavam. Mas com Algren lá, Beauvoir saía muito. Quando os dois iam a um lugar público, as pessoas apontavam para ela e riam.
ROWLEY, Hazel. Tête-à-Tête. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006. p.237-238
Sem dúvida, o mundo de junho de 2009 é muito diferente do mundo de junho de 1949, quando O Segundo Sexo foi lançado em Paris. E parte dessas mudanças se deve a este livro. Portanto, trata-se de leitura recomendadíssima.
Poderiam ter feito uma edição mais caprichada para comemorar os 60 anos do livro, mas, tendo em vista a quantidade de livros feministas esgotados e não reeditados, temos de nos dar por felizes por ter o relançamento. Gostei da idéia de volume único, pois evita o grande problema das edições anteriores: conseguir comprar um volume, e em seguida descobrir que o outro estava esgotado…
Comprei o meu exemplar na Fnac, com 20% de desconto e frete grátis. Sei que tem na Livraria Cultura também. Está difícilimo de encontrar em outras livrarias e lojas online. Pra piorar, o site da editora não está atualizado, e os sistemas de busca estão bastante falhos. É uma pena que um livro desse porte receba tratamente tão precário.
8 Comentários to Finalmente, nova edição de “O Segundo Sexo”
Eu só tenho o vol.um,baixei o segundo pela internet,mas quero comprar,que bom que reeditaram =]
17/06/09
Legal. Vou comprar. Eu baixei em algum lugar, mas gosto de ter o livro mesmo. E é ainda revolucionário sim. Infelizmente né?
17/06/09
Eu tive a petulância de te dedicar um selo; lá no meu blog tem a explicação. Beijo!
18/06/09
Já li, mas existem os livros que precisamos ler e os que precisamos possuir! Por isso quero comprar!
19/06/09
Conheci este livro no blog “O que elas estão lendo!?”
A Paula falou sobre ele http://elasestaolendo.blogspot.com/2009/05/o-segundo-sexo.html
Parece ser muito interessante. Está na minha lista desde que li a resenha dela.
beijos
[...] Dalloway e Simone de Beauvoir olham de soslaio na fila enquanto banham-se com o sol das manhãs que chegam cedo [...]
29/06/09
Nossa…Saber que ela teve que aguentar isso na França…beira o ficcional. Fico imaginando como deve ter sido a recepção desse livro por aqui.
Aliás, você sabe alguma coisa sobre como foi a recepção dela e do Sartre por aqui? Fico só imaginando a ladainha: casal não casado, ateu, comunista, blá blá blá…e por aí vai. Lembro apenas de um artigo do Nelson Rodrigues a respeito, por sinal atacando Sartre.
20/07/09
estou lendo! peguei uma edição mais velha que andar pra frente na faculdade e estou amando. É impressionante e assustador como ainda é atual. A segunda edição eu baixei
valeu pelo aviso, cynthia!
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Cynthia Semíramis
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16/06/09