Minhas observações sobre o lingerieday

Tuesday, July 28th, 2009 | corpo

Na última 4ª feira, lançaram no twitter a campanha #lingerieday, que estimula as mulheres a usarem fotos de lingerie no avatar do twitter. A campanha foi bastante criticada, inclusive por mim. No dia seguinte, conforme avisei no twitter, viajei para Brasília, para palestrar e participar do Seminário Preparatório para a Conferência Nacional da Comunicação, organizado pelo Conselho Federal de Psicologia. Portanto, acabei não acompanhando os desdobramentos do #lingerieday no twitter e na blogosfera. Agora, ao retornar, estou chocada com o que encontrei.

1. Resumo dos acontecimentos

Na última quarta-feira @morroida @gravz e @izzynobre propuseram o #lingerieday, como pode ser visto no cartaz de divulgação da campanha . @morroida também falou: Para o #lingerieday, se vc for FEIA E/OU GORDA, favor use foto fake. Ninguém quer ver vc de lingerie.

Foi um dia bastante tumultuado. Entre diversas discussões, públicas e privadas, Ana Carolina (@anarina) fez um post no Trezentos, criticando a campanha. O teor dos comentários, alguns deles originados dos idealizadores da campanha, é tão grosseiro que foi necessário fechar o espaço para que não recebesse novos insultos.

Divulguei o post da Ana Carolina, twittei sobre como a campanha tem a mesma lógica da campanha da Pix, e a @meninaquejoga, que havia aderido à campanha trocando seu avatar por ilustrações de sutiãs e calcinhas, me questionou sobre minhas críticas à campanha. Conversamos tranquilamente sobre o assunto.

No fim do dia, um twitt da Aline (@ateaquitudobem me chamou a atenção por associar o lingerieday à nudez: O que degrada o corpo feminino não é a nudez, mas o olhar reprovador sobre ele. #lingerieday. Respondi: mas a questão do #lingerieday não é nudez. é ter de achar “normal” uma campanha de objetificação das mulheres. Fiz isso porque imaginei que poderíamos conversar amigavelmente, como já fizemos com outros assuntos, e achei que foi “forçar a barra” associar lingerieday com nudez.

Tanto Aline quanto Lu (@lubom), que haviam aderido à campanha, passaram então a me atacar e criticar, não aceitando que eu discordasse delas e levando a questão para o lado pessoal, como se eu estivesse ofendida com as fotos delas. Durante a discussão, descobri que elas não conheciam o cartaz de convocação pra campanha, e eu é que tive de informá-las dos termos da campanha à qual haviam aderido; para elas, a participação inicial era porque não gostaram do post da Ana Carolina. Lu, especificamente, se disse ofendida pelos meus comentários, e parece não ter aceitado quando deixei bem claro que não tive a menor intenção de ofender. Outras pessoas, como @tuliovianna @Mary_W @denisearcoverde @fatorell @juliana_m também participaram da discussão.

Acho importante destacar que todas as críticas que fiz foram sobre o quanto a campanha é sexista e objetificadora das mulheres. Em nenhum momento me posicionei contra a participação de quem quisesse, ou reclamei por alguém ter participado. E quem acompanha meu blog sabe que não concordo com posicionamentos moralistas, ou que restrinjam as possibilidades do exercício da sexualidade. Basta olhar, na coluna da direita, os temas dos meus posts preferidos (recomendo a leitura, até para entender melhor meu posicionamento, do post sobre filmes pornôs feministas).

Agora, ao voltar de viagem, descubro que tanto Lu quanto Aline fizeram posts sobre o ocorrido, com críticas a mim por ter discordado do posicionamento delas.

Criticaram a campanha Mary W., Marjorie, Lola (com dois posts) e Lori Meyers.

Lady Rasta falou da falta de modos dos comentários, que se assemelham a brigas de gangues.

2. Por que eu não gostei da campanha?

Estamos falando de uma campanha para criticar e esvaziar o uso político do twitter, procurando ridicularizar o ciberativismo. Embora eu não me manifeste muito sobre isso aqui, acho extremamente válido utilizar o twitter (e outras redes sociais) também para organizar e direcionar lutas políticas, como ocorre na mobilização contra o AI5 digital.

Mas o ponto principal é: a campanha tem um mote de objetificação das mulheres. Sobre objetificação, entenda-se colocar as mulheres em posição subordinada à dos organizadores. São elas que devem mudar seus avatares (ou seja, sua imagem de identificação em determinado grupo social) para uma foto usando lingerie. É uma relação desigual: eles mandam, elas obedecem. Eles são sujeitos, determinando as regras; elas são objetos, obedecendo ao que foi mandado. Não se esqueçam que feias e gordas estão proibidas de participar da campanha (como controlar? Não faço a menor idéia. Mas a proibição está clara).

Imagino que alguém vai falar: ah, mas as mulheres adoram se enfeitar, serem elogiadas, etc. Sim, isso é óbvio, qualquer pessoa gosta de se sentir bonita e receber elogios. Mas pra fazer isso ela não precisa de alguém mandando que participe de uma campanha, né? Ela pode muito bem se arrumar sozinha!

A questão aqui não é essa. O que estamos criticando é o fato de alguém se sentir no direito de dizer quando uma pessoa deve se vestir/arrumar/fotografar de determinada forma ou não, para receber algum tipo de atenção. No caso, determinando quando um determinado perfil de mulher deve postar, para quem quiser ver, uma foto sua usando roupas íntimas.

E isso se torna mais complicado quando nos lembramos que vivemos em uma sociedade machista. Por mais que estimulemos mudanças, as mulheres ainda são valorizadas primeiro pela aparência, depois por qualquer outra qualidade que tenham. A campanha só repete esse preconceito, reforçando que aparência é fundamental para a aceitação social de mulheres.

Para completar, a campanha trata mulheres como entretenimento. Como os organizadores estão exaustos de questões ditas sérias, solicitam um momento de diversão e esbórnia, a ser proporcionado pelas fotos de garotas usando apenas lingerie. Acho impressionante que muita gente não perceba, e ache até natural, que mulheres sejam convocadas como objetos para deleite alheio.

3. Não participar da campanha significa que sou uma pessoa pudica/conservadora?

Esse é um dos argumentos usados por quem quer forçar as outras pessoas a participar da campanha, e nada mais é do que conversa pra boi dormir. Exercício da sexualidade não precisa estar ligado à demonstração e aprovação públicas.

Participar de uma campanha para ser considerada livre, independente, moderna, sem problemas sexuais, significa apenas uma coisa: a pessoa está se colocando num lugar de objeto, dependendo da classificação e aprovação de alguém, que irá julgar se ela se adequou ou não às regras.

Se você é realmente livre, independente, moderna, sem problemas sexuais, não precisa da opinião das outras pessoas para se afirmar. Por isso, vai decidir SE e QUANDO participar de qualquer campanha, pouco importando a opinião/aceitação das demais pessoas.

4. Não participar da campanha significa que não aprovo o erotismo feminino? Ou que desprezo/me incomodo com a nudez feminina?

Como já falei antes, você não tem de se pautar pelo que as pessoas pensam sobre você. Em princípio, não é o fato de participar da campanha A, B ou C que determinará sua aprovação social, ou não, porque você é livre para escolher quais relações quer viver. E, se o meio em que você vive exige esse tipo de posicionamento para ser aceita, observe que aqui você é objeto, e vive em função de um sujeito. Se posso aconselhar alguma coisa, é que você repense se está confortável com essa relação na qual você acaba por viver para se enquadrar no que a outra pessoa espera de você. Se estiver, ok. Se não estiver, não se submeta.

Se há algum tipo de nudez que perturbe/ofenda as pessoas, eu diria que é a masculina, não a feminina. Mulheres aparecem nuas, ou semi-vestidas até em situações inadequadas (por que elas aparecem semi-nuas em propagandas de cerveja, mesmo?), e as pessoas aceitam e até acham normal que crianças vejam mulheres nuas ou com trajes ínfimos na televisão, seja qual for o horário ou a programação. Mas basta aparecer um homem nu para gerar escândalo, críticas homofóbicas e uma gritaria pela moral e bons costumes.

Porém, o lingerieday não se trata de uma campanha de valorização da nudez, mas uma campanha sobre objetificação através da exibição de lingerie das mulheres. Alguns homens determinaram que as mulheres devem, em determinada data, trocar seus avatares por fotos de lingerie. Eles as colocaram na posição de objetos. O contexto é outro, no qual há dois componentes eróticos: um, atribuído às poucas peças que faltam para deixar partes do corpo que são consideradas eróticas à mostra; outro, pela “obediência” à campanha.

Se conhecer, saber quais são os seus gostos, realizar suas fantasias eróticas, são situações que não precisam passar por atos públicos. Mesmo pessoas exibicionistas sempre pensam SE e QUANDO irão se exibir, ou qual a melhor forma e ocasião para satisfazer os próprios desejos. Elas não precisam se colocar como objetos da relação, esperando alguém determinar se e quando poderão se exibir.

5. Ser objeto é pejorativo?

Eu não considero que, ao se colocar na posição de objeto, uma pessoa esteja errada, ou não deva fazer isso. Também não acho que o termo é pejorativo quando a pessoa escolhe estar na posição de objeto. Isso porque eu defendo que qualquer pessoa conheça as diversas opções que existem, para saber contextualizar e escolher fazer/seguir o que considerar mais adequado para sua vida. O problema está quando se posicionam sem saber exatamente as consequências do que estão fazendo, ou sem perceber as peculiaridades da relação.

A maioria das relações sociais são hierarquizadas. Trata-se de uma constatação, isso não é ruim por si só. Há dias que as pessoas querem colo (ou seja, querem alguém que lhes proteja e diga o que fazer), em outros dias tornam-se protetoras de outras pessoas. Um dia somos alunos (ou seja, devemos obedecer a um professor), no outro somos professores (temos poder para determinar tarefas aos alunos). Um dia somos chefes, no outro, funcionários. Estamos o tempo todo trocando de papéis, ocupando pólos opostos, sendo sujeitos e objetos em inúmeras relações. Eu acho importantíssimo ter noção dessa dinâmica, para que a pessoa saiba exatamente onde está e o que esperar da relação. Dificilmente um funcionário que trate o chefe como subordinado terá longevidade em uma empresa, por exemplo.

Também é importante destacar o seguinte: estando a dinâmica da relação estabelecida para determinada situação, ou a pessoa é sujeito, ou é objeto. A relação, para aquela situação, não muda. O que muda é a disposição da pessoa: ela pode se sentir obrigada a ser um objeto (exemplo: quem é pressionada pelos colegas e amigos a se expor de lingerie para não ser rotulada de reprimida ou sem senso de humor), ou pode ter a vontade de ser um objeto e se posicionar assim (exemplo: quem quer participar da campanha e troca o avatar para uma foto usando lingerie).

É por isso que participar de uma campanha de objetificação coloca a pessoa como objeto. Mesmo que ela escolha se posicionar assim, agindo com autonomia, todo o contexto, inclusive a relação estabelecida entre sujeito e objeto, continua sendo de subordinação.

6. Dizer que uma pessoa é um objeto significa que ela é inferior?

Não, de forma alguma. Como já disse antes, as relações sociais são dinâmicas, e trocamos de papéis o tempo todo. Se a relação funciona para determinada situação, e as pessoas que estão nela entendem a polarização e concordam com o que está acontecendo, não vejo como dizer que ocupar um dos pólos significa que a pessoa é superior ou inferior. Ela está ali conscientemente, e é isso que importa.

Ser objeto pode ser bom para uma pessoa, ao proporcionar uma situação cômoda e que corresponda à sua personalidade e desejos (acho que tanto a secretária do filme Secretary quanto o funcionário que detesta assumir responsabilidades que impliquem em menos tempo de lazer concordariam comigo), quanto ser sujeito de uma relação pode ser desagradável para quem não se sinta à vontade em situações de liderança, ou não saiba lidar com alguma emergência.

O problema é que muitas pessoas estão tão acostumadas a pensar em maniqueísmos que associam sujeito=bom=ativo, objeto=ruim=passivo (e pra mim ficou claro que muita gente, inclusive a Lu, caiu nessa armadilha). Aí, quando alguém fala que essas pessoas estão em uma relação na qual são objetos, elas automaticamente associam isso a uma posição de inferioridade e passividade, reagindo indignadas e se sentindo insultadas. Mas basta uma leitura básica sobre relações de poder, em qualquer ótica (desde BDSM até mediação de conflitos) para entender que o problema está no fato de a pessoa não entender qual papel ocupa na relação, pois isso criará expectativas e tarefas que podem não se cumprir.

7. Os comentários grosseiros no post da Ana Carolina foram merecidos?

Não, nunca, de forma alguma. Parei de discutir quando Aline disse “mas o post da @anarina foi provocativo, agressivo. eles responderam na moeda equivalente“. Quando questionei, Aline respondeu “ela provocou, cynthia. o post dela é agressivo, é inflamado, uai. qq tem isso? era pra mexer com o povo… e mexeu.

Uma coisa que tenho observado bastante, tanto no twitter quanto na blogosfera, é que as pessoas interpretam os textos de acordo com seus preconceitos. Confundem objetificação com passividade e ausência de escolha, como mostrei acima. E presumem que qualquer texto escrito por uma feminista significa um texto agressivo, gritado, escandaloso, provocativo.

A “provocação”, na verdade, está em mostrar um ponto de vista fora do senso comum. Parece que isso incomoda tanto as pessoas, que elas imediatamente passam a tratar tanto quem escreveu quanto quem apoiou o texto como perigosas mentes subversivas que vivem a gritar para impor suas idéias. Xingam o texto e quem o escreveu como uma tentativa de ignorar algo que as incomodou, como se o xingamento e a desqualificação do que está escrito tivesse o poder de fazer o mundo voltar à ordem anterior.

E eu quero reforçar aqui que eu considero absurdo criticarem o texto da Ana Carolina como se ela é que tivesse criado confusão. O problema está na campanha, não em quem se manifesta contra ela. Quando as pessoas dizem que o problema é o tom agressivo do texto, estão dizendo que não se pode manifestar um pensamento que destoe do senso comum, mesmo que ele evidencie um preconceito. Sinto informar, mas o nome disse é tentativa de cercear a manifestação de pensamento. Claro que eu posso manifestar minha opinião sobre a campanha, e minhas opiniões merecem respeito.

8. Quer participar do lingerieday? E se os efeitos forem ruins?

Claro que, em um mundo ideal como o descrito nos posts da Lu e da Aline (que, curiosamente consideram-no como o mundo real), no qual teríamos igualdade plena de direitos, e mulheres seriam muito mais do que apenas o fator estético, eu não precisaria escrever esse item, muito menos ter este blog. Mas, por mais que a gente diga que as mulheres cada vez têm mais direitos, são independentes, modernas, liberadas, etc, ainda vivemos em uma sociedade machista. E, embora várias pessoas digam que machistas são sempre os outros, acho que vale a pena se precaver contra determinados riscos (que espero, sinceramente, que não se efetivem).

O clima de oba-oba, eu sou livre pra fazer o que quiser com a minha imagem, é lindo. Mas, como eu sempre defendo que é importante conhecer todas as possibilidades de uma relação, para depois não reclamar das consequências do lugar no qual se colocou, acho que não faz mal ser realista e falar do que pode acontecer se algum preconceituoso, conservador, moralista, resolver se manifestar.

O problema da internet é que não se tem controle sobre o que pode acontecer. Alguns rapazes inventaram uma brincadeirinha “inocente” e ficaram perplexos ou indignados (depende da versão contada) ao descobrir que uma brincadeira não é só uma brincadeira, mas tem todo um contexto de objetificação. Pessoas que você imaginaria confiáveis terminam relacionamentos e divulgam fotos íntimas do casal para prejudicar a carreira da pessoa a quem diziam amar. Uma foto que deveria circular apenas entre alguns contatos acaba circulando por toda a internet e muitas vezes obriga até a mudanças de cidade.

E quem participar, está preparada para, a cada vez que criticar algo como sexista, ouvir que está sendo incoerente e não tem autoridade para questionar sexismo, já que participou desta campanha? Pior ainda, estão preparadas para ouvir isso das mesmas pessoas que bateram palmas para a sua participação na campanha?

E se o seu chefe te assediar ao saber que você posou de lingerie no twitter? Depois, se você o processar, ele será bem capaz de dizer que foi você quem o provocou, e vários juízes darão razão a… ele! pois muita gente que você considerava amiga e/ou séria tinha o printscreen e anexou ao processo como prova: seu nome está lá, sua foto em trajes sumários também, e não vai ser difícil encontrar alguma pessoa disposta a distorcer uma campanha que não deixou vestígios além dos prints pra confirmar a história de que você fez tudo pra provocar. As pessoas podem fazer coisas horríveis para subir na carreira, e mulheres, que são recorrentemente tratadas como objetos, são vítimas preferenciais dessas pessoas. Se quem te assediar for o colega, denuncie à chefia e ao RH, e torça para que entendam a “brincadeira” do lingerieday. Se for seu subordinado que te assediar, lembre a ele quem é o sujeito da relação profissional e exija respeito, ou o demita. Mas cuidado: se ele te processar, não tenho muitas dúvidas de que os juízes criticarão a sua postura, incompatível com seu cargo e responsabilidade. Eu já disse que a sociedade é machista, não?

Por fim, pra quem quiser participar da campanha, uma recomendação: não tente fazer o lingerieday, nem o nudismoday, em via pública. A chance de ser enquadrada no crime de ato obsceno é grande.

9. Finalizando, um comentário para Lu e Aline

Espero que, com este post, vocês tenham entendido o meu ponto de vista. Desde o início, quando vocês leram e não gostaram do post da Ana Carolina, e não conheciam sequer o jpg de convocação para a campanha (lembram-se que fui eu que enviei o link para vocês?), eu estava falando exatamente o que escrevi aqui.

Particularmente, fiquei muito chateada com a discussão e com o seu post, Lu. Nós nos conhecemos pessoalmente, eu acompanho seu blog desde o início. Concordo com boa parte dos posts, especialmente os antigos, e já chegamos a ter algumas divergências (civilizadamente, eu acreditava) em ambos os blogs. Por isso que eu nunca imaginei que você se exaltaria, distorceria minhas palavras, chegaria ao ponto de ignorar todos os comentários que já fiz, e criaria uma situação na qual você optou por me tratar como alguém que “vocifera”. Ou será que eu só “vocifero” quando defendo algo contrário ao que você pensa, e só agora me dei conta disso?

No mais, foi uma pena que vocês tenham descontextualizado a campanha e optado por levar a discussão para o lado pessoal.

=================================

Este post está com comentários moderados, pois devo ficar muito tempo offline esta semana e não quero que meu blog se transforme em uma praça de guerra. Não aceitarei comentários grosseiros, nem discutirei mais nada a respeito deste tema.

20 Comentários to Minhas observações sobre o lingerieday

Lamentável tudo isto, feio. Este tipo de coisa-não sei que nome dar, campanha? brincadeira?- é um retrocesso na emancipação da mulher, conseguimos alguns avanços pero…
mas acredito que mtas entraram de gaiatas sem pensar.
Um abraço, Laura

Rubens Carvalho
28/07/09

Simples, criem o #boxersday! Assim os marmanjos também serão “objetificados” com um dia de cuequinha pra vocês!

Menos stress pessoal!

Semave
28/07/09

Puxa vida! Que coisa em colega/companheira e xará, não tinha imaginado a extensão dessa discussào, de fato desde muito tempo o espaço cyber as vezes vira uma antiga arena (como na Roma Antiga).Lamentável!
Mas enfim, desde o primeiro comentário lá no Twitter icou bem claro qual era o seu posicionamento, infelizmente a campanha tem um cunho de OBJETIFICAÇÃO do feminino.
O jeito é ir com PAZciência.
[ ]s
Semiramis

anunciação
28/07/09

Desculpe se pareço tiete,mas adorei esse post.Lúcido,seguro,tranquilo.Excelente,e tenho dito.

Dalleck
29/07/09

Bom post. Prolixo, mas inteligentíssimo. Realmente, a sociedade é machista. Junte a isso o fato de que as pessoas gostam de criar modas na internet, onde é mais fácil de se aparecer, vide joguinhos do Orkut. Ou qualquer flashmob fútil, como o Pillow Fight Day e o No Pants. E as pessoas que criam coisas como o LingerieDay no Twitter são as mesmas que ficam com medo e têm preconceito quanto ao Twitter ser invadido pelos usuários “idiotas” do Orkut. Do que adianta o Twitter só ter pessoas que se dizem inteligentes, geeks, importantes e influenciadoras na internet, ou whatever, se as coisas que elas conversam na rede de micro-blogging se limitam a organização de flash-mobs, intriguinha de quem usa programa pra aumentar seguidores, ficar floodando hash-tags pra aparecer no Trending Topics, etc? O Twitter consegue ser tão idiota quanto o Orkut, mas como é possível tanto em um quanto no outro, podemos escolher o conteúdo que queremos ler. Graças a Deus. Ou melhor, graças a Bill Gates e Steve Jobs.

Lola
29/07/09

Bom, tudo que eu queria falar eu já falei no meu bloguinho. É melhor ficar quieta agora, no meu caso, ainda mais porque já tenho um histórico de desentendimentos com Lu e Aline. Eu não tenho twitter, então só vi a discussão que rolou lá muito rapidamente, e dois dias depois. Mas não vi em nenhum momento vc ofendendo alguém. Muito pelo contrário, achei que vc foi super respeitosa.
Mas enfim, gostei do seu post, Cynthia. Eu sempre associaria ser objeto com algo negativo, mas é como vc disse, isso seria por conta dos meus próprios preconceitos. Tem vezes que ser objeto não é ruim. E claro, estamos sempre trocando de papéis. O que não dá é querer criar seu próprio contexto e insistir pra que todo mundo siga a sua visão. As coisas não funcionam assim. Mas esse lingerie day deu pra mim.

astrocat
29/07/09

Que bom ler o teu lado da história!

Cristine
29/07/09

Gostei muito do seu post, Cynthia. Você disse tudo o que eu penso a respeito da objetificação da mulher; complementou o post da Marjorie, sobre escolhas e a necessidade do contexto para se entender todos os motivos e consequências de uma atitude ou decisão(especialmente no item 8), mostrou que todos vivemos algum tipo de papel em nossas relações sociais, pessoais ou de trabalho, e que isso não necessariamente está errado e finalmente, mostrou que a internet é algo imprevisível, que a “liberdade” tem sim suas consequências e que é bom pensar nelas antes de agir.

Acompanhei o lingerie day, assim como as discussões e os vários posts sobre o assunto; por fim você conseguiu explicar, num texto lúcido, respeitoso e sensato, os vários aspectos do “evento”.

Um grande abraço!

Iara
29/07/09

Cynthia, muito bom ler o seu post. Eu encaro o lingerie day de uma maneira muito parecida com a sua, mas o meu debate com a Aline foi muito importante pra entender o lado delas. Sim, eu concordo que elas não estão num mundo ideal, e argumentei com ela. E aceitei como resposta de que elas estavam conscientes disso, mas também seguras de que o machismo no mundo não vai se extinguir se elas não se expuserem. Ok, essa é a briga que elas escolheram comprar, posso avisá-las dos perigos, mas caso alguém as julgue mal, não posso dar razão ao ofensor ou minimizar o machismo dele só por conta disso. A agressão não deixa de ser agressão só por que o agredido conhecia os riscos.
Acho que os ânimos se exaltaram muito, e teve gente muuuito grosseira nessa história, e supostamente feminista, ofendendo as duas também, e por isso o debate desandou. Algumas coisas que eu li por aí, especialmente em caixas de comentários, imbelicisavam as duas, como se só houvesse um ponto de vista possível, e se elas não enxergassem as coisas desse jeito era má fé ou burrice. Também discordo do posicionamento delas em relação ao post da Ana Carolina.
O que ficou claro pra mim é que tem gente que só está disposta a respeitar o outro quando partilham da mesma opinião. Isso é muito triste, empobrecedor.

Adrina
29/07/09

Cynthia, pode parecer um discurso conformista, ou sei lá qual seja o nome, mas eu desisti de participar dessas discussões na internet justamente por isso tudo que você passou. Depois que eu fui humilhada por um blogueiro muito superstar porque disse que achava os textos dele complicados de ler, eu desiti de demonstrar o que penso. Quando leio algo de que não gosto, simplesmente ignoro, porque discordar, nos tempos do anonimato e da distância da internet, é pedir para tomar pedradas. E, se discordamos de algo que trate a mulher como objeto, somos feias, gordas e mal comidas. Apesar de passar por cima de tudo o que eu acredito, eu deixo pra lá.

Flavia
29/07/09

Estou aliviada…finalmente alguém disse alguma coisa muito muito próximo do que eu pensava.

Não sabia que a @ateaquitudobem tinha dito que a @anarina mereceu o que levou – ninguém que frequente um meio civilizado merece aquilo (nem mesmo os autores daquele linchamento).

Beijos

Impossível levar a vida tão a sério… não dá pra só brincar um pouco? De vez em quando?

@anarina
29/07/09

Oi Cynthia,

Seu texto está muito bom. Eu já escrevi vários textos depois do que publiquei mas tenho a maior preguiça de tentar me explicar para quem se recusa a querer entender. Só queria esclarecer que eu fechei os comentários porque não queria ter que ficar lendo todos para deletar os que ofendiam a terceiros. Os que me tentaram me ofender não fizeram nem cócegas =)

Ainda tento entender o motivo pelo qual tanta gente tem tanta raiva desse tema (dos dois lados), mas enfim, não pretendo dedicar nem mais um minuto a esse tema.

Um abraço!

[...] Minhas observações sobre o Lingerie Day por Cynthia Semíramis [...]

Lori
29/07/09

Muito bom, gostei especialmente da parte q vc coloca mundo real versus mundo ideal. Vinha pensando nisso. Outra coisa q eu acho interessante é como a maioria dos participantes mostram a lingerie/cueca mas não mostram a cara, ou seja, dá a impressão de q eles mesmos têm noção do problema q podem criar pra si.

Daniela
29/07/09

Eu acho que um blog de 140 caracteres não foi nem de longe o lugar ideal pra levar essa discussão (li todas as twittadas, menos as da MaryW pq eu não tenho twitter e o dela está fechado).

Vejo o tanto que você, a Lu, a Mary W e a Aline tiveram que escrever pra explicar suas posições (não conto Marjorie pq ela fez um post sem citar nomes e Lola pq ela não está no twitter).

Eu concordo com argumentos de ambos os “lados” e preferi ler a Aline, incluindo quase todos os comentários, antes de me pronunciar porque ela é uma interlocutora que eu prezo demais. Eu estava MUITO a fim de entender o lado dela sobre uma atitude que, num primeiro momento, eu rejeitaria totalmente. Apenas pelo respeito que eu tenho por ela.

Acho que faltou muito respeito na história toda. Talvez quem sabe até da Lu (que eu não conheço e de quem sequer sou leitora) e da Aline ao dizerem que a @anarina provocou a reação (realmente achei esse comentário lamentável).

Mas lamentável tb foram os posts (e os comentários em posts) que se seguiram. De gente que não foi lá na Aline ouvir o lado dela.

Sei que vc não quer mais discutir o tema, mas como você também é alguém por quem nutro respeito, estava curiosa pra ouvir o seu lado. Que bom que vc escreveu o post.

Abração.

[...] Aliás, eu diria que é uma letra perfeita para fechar a never-ending week de discussões acerca d “Aquele-que-não-deve-ser-nomeado-day… [...]

Ângela F.
31/07/09

Cynthia, que bom que vc escreveu este post esclarecendo o imbroglio. Bem, vão achar que é interpretação sua, mas fazer o quê, né? Tudo é, em última análise.
Eu li todos os lados, me posicionei e só levei patadão. Não houve diálogo comigo em nenhum momento, ou eu cedia ao argumento ou era tratada como “essa tal Ângela F.” Ou “não desejo NEM A VOCÊ o que…”. Até tentei me apresentar no twitter, mas fui bloqueada pela Aline e pela Lu. Continuo achando que a campanha é machista e não sei lidar com as questões fora de seu contexto, como se calcinha-sutiã-gravataí-morroida-exterminio-de-gordas-galhofa-com-feministas não existisse. e para dialogar com elas teria que dialogar com os pontos que se passavam no umbigo delas.
ora, eu não estou apta a fazer isso, e disse isso nos comentários dos dois blogs. e que não tenho a luz, a verdade nem a vida, hahahaha. até tentei o bom humor, traço frequente em todas as minhas postagens. mas nem assim. então tá. se é uma questão de resolução individual, cada um fique com a sua solução, né? uma pena.

aiaiai
02/08/09

Bom, pelo menos uma coisa essa campanha rendeu de bom. Conheci um monte de blogs feministas legais.
O seu eu já conhecia e desde há algum tempo queria comentar sobre um post seu (teste de feminista).
Eu, claro, concordo com todos os itens, mas acho que no último, você poderia dar uma redação mais bacana.
Está:
“Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais?”
Eu acho que deveria ser:
“Você concorda que cuidar das crianças é um prazer que deve ser compartilhado por ambos os pais?”

Tenho sempre a tendência a ver o movimento feminista como algo bom para os homens também. Acho que eles são prisioneiros do machismo tanto quanto nós. É diferente da questão racial, na qual o dominador sempre se dava bem. Na verdade, os homens perdem tanto com o machismo, perdem prazeres fantásticos como cuidar dos filhos.
Digo mesmo que só vou aceitar essa história das mulheres terem o direito de escolher “ficar em casa e cuidar dos filhos”, no dia em que os homens também tiverem esse direito. Ai sim teremos alcançado a igualdade. Por enquanto, o cara pode até querer, mas vai ter que sentir a pressão da sociedade chamando ele de “fracassado, viadinho, gigolo…”.
Cuidar dos filhos é um prazer que deveria ser compartilhado pelos pais, mesmo que não morem na mesma casa.
É isso!

Pesquisar

Cynthia Semíramis

Professora de Direito, desenvolve pesquisa sobre direitos das mulheres. Mora em Belo Horizonte-MG.

Para saber mais:

Currículo | Publicações

Sexismo na política

Twitter | Tumblr | Itens do GReader | Trezentos | Orkut | Caderno | Sofia e suas crias no Flickr | Sofia e suas crias no Fotolog | blog antigo (2002-2006)

Entre em contato:

cynthiasemiramis ARROBA gmail PONTO com

Eu sou uma Luluzinha!

Arquivo por assunto

Arquivo por data