Existe muita desinformação sobre feminismo. É comum as pessoas acharem – erroneamente – que qualquer movimento de mulheres é feminista, ou que qualquer tema de estudo que envolva mulheres é feminista. Também é comum falar em movimentos neofeministas como uma etapa mais contemporânea do feminismo, sendo que muitas vezes se trata de movimentos anti-feministas.
O que caracteriza o feminismo é a discussão sobre igualdade de direitos. As mulheres foram (e ainda são) discriminadas juridicamente, e são as feministas que lutam para que essa discriminação deixe de existir.
Porém o feminismo não é único. Há controvérsias teóricas sobre como esses direitos devem ser interpretados, e cada grupo feminista tem uma abordagem diferente acerca desses direitos e possibilidades.
Publiquei na Revista Fórum nº119 um artigo expondo as diferentes vertentes feministas sob a ótica jurídica e seus métodos de atuação.
Para se afirmar que um movimento é feminista é necessário que ele seja um movimento que procure questionar o papel das mulheres na sociedade e que atue para ampliar os seus direitos. Cabe lembrar que historicamente as mulheres foram consideradas juridicamente incapazes e subordinadas aos homens. O que o movimento feminista faz é lutar para que as mulheres obtenham os mesmos direitos que os homens já têm desde o início do século XIX. Para fazer isso, é necessário que haja uma mudança jurídica que proporcione a igualdade de gênero. Porém, os posicionamentos ideológicos dos grupos feministas variam, produzindo resultados diferentes em relação aos direitos das mulheres.
Quando se fala de feminismos e de uma nova geração feminista, é necessário atentar para os direitos que estão sendo discutidos. Se é uma restrição, relegando as mulheres ao papel tradicional de símbolo sexual, mãe, esposa e dona de casa, trata-se de um movimento antifeminista, e não há rótulo como neofeminismo ou pós-feminismo capaz de modificar o fato de que estão limitando as possibilidades de vida para as mulheres. Se são usados novos métodos para velhas reivindicações, ampliando e consolidando direitos, estamos falando do movimento feminista. O mesmo que, desde o início do século XX, luta para melhorar a vida das mulheres, ampliando seus direitos e suas possibilidades de escolher o que é melhor para sua vida.
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O que tem me intrigado é que o Femen Br está em seu início ainda, não é registrado como ong e nem está consolidado, mas já recebe doações, vende produtos e é tratado pela mídia como um grupo feminista tradicional que merece todas as atenções (inclusive 