Curiosidade infantil

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A Vanessa estava contando das perguntas sobre sexo feitas pelo filho dela, e indicou uma reportagem antiga da veja sobre o assunto, para ajudar quem também está passando pela fase das perguntas dos filhos sobre sexualidade e relacionamentos. Gostei muito, tanto das perguntas quanto das respostas, mas uma delas me irritou um pouco:

Pergunta:Por que os meninos passam a mão quando estão beijando? (menina, 12 anos)
Resposta da Veja: Eles querem conhecer o corpo da menina. O importante é ver se você gosta ou não. Se você não gostar, não deixe.

Faltou falar que a menina também pode – e deve – passar a mão em quem ela está beijando, e que ela também tem o direito de conhecer o corpo da outra pessoa. Do jeito que ficou a resposta, mulheres ou não têm mãos, ou não sabem, nem podem saber, o que fazer com elas…

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  1. putz. a maioria nem percebe o recado implícito, mas muito bem dado, que está sendo ensinado, mantido e reforçado com essa resposta, de que a feminilidade = passividade… muitas respostas lá têm algum preconceito embutido.
    “Por que alguém vira gay?” (menina, 8 anos) – “Existe um monte de explicações, mas nada está provado. É uma opção sexual que deve ser respeitada. Tem homem que gosta de mulher, homem que gosta de homem e mulher que gosta de mulher.”
    afff. não se pode dizer que simplesmente um homem ou uma mulher pode gostar de homem assim como pode gostar de mulher? a resposta se solidariza com a pergunta, procurando “razões” para se “virar” gay! precisa de ter explicação, agora? por que é que alguém vira hétero então?

  2. Nossa, isso me lembra quando eu tinha 14 anos, fiquei com um garoto (já tinha beijado com 10 anos, mas não foi nada..só pra mostrar), gostei e “deixei”, mas ainda era muito novinha pra “descobrir o alheio”. Daí, fui toda serelepe contar pras minhas amigas (nesse ponto, sou bem “homem”; falava mesmo) e elas me criticaram porque “deixei”. Eu respondi: ué, não sabia que não era pra fazer o que gosto! Tem alguma regra num livro, num manual?

    E realmente, vocês tocaram num ponto interessante: parece que a mulher é desprovida de mãos; sempre passiva.

  3. Ah, Lu, você tem toda razão.. O “duplo, ambígüo” sempre assusta, até em bar gay. Fica todo mundo olhando a pessoa que agrada aos dois, quer/deseja os dois. Evidentemente, acho que todo mundo acaba tombando mais para um lado da “opção sexual”, mas de qualquer forma o “duplo” sempre paira em todos nós.