Algumas formas de ignorar a opinião das mulheres

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Um dos comentaristas da Carla Rodrigues, no post sobre as blogueiras estadunidenses, questionou o que significa a afirmação das mulheres de que elas são ignoradas. Bom, pela minha experiência, posso contar o seguinte:

  • várias vezes, a minha opinião foi tratada com desdém; porém, depois, quando um homem falou a mesmíssima coisa, a opinião dele foi considerada relevante. Uma variante dessa situação é esperarem a manifestação masculina para aprovar a minha opinião
  • muitas pessoas insinuam que não são as mulheres que escrevem, mas uma terceira pessoa (do sexo masculino). Já passei por uma situação dessas, e foi bastante desagradável
  • as pessoas só costumam perguntar a opinião de mulheres quando o assunto está ligado à vida doméstica ou à maternidade, ou como conciliar mil atividades. Sobre isso, a Carla Rodrigues contou uma história ótima sobre uma entrevista com um candidato à presidência de Portugal, na qual foram feitas perguntas que tradicionalmente são dirigidas às candidatas do sexo feminino
  • a se acreditar em publicidade e no público-alvo de diversos sites e revistas, jogos e tecnologia não são para mulheres, portanto elas são ignoradas nessas áreas tanto como profissionais como consumidoras
  • uma situação bastante comum no Direito é encontrar poucas mulheres fazendo palestras. Em eventos de uma semana, por exemplo, existem mesas em que não há nenhuma mulher participando. No entanto, as mulheres são maioria nas salas de aula da graduação, e têm aumentado bastante as turmas de pós-graduação. Por que a produção delas é ignorada na hora de apresentarem o resultado de suas pesquisas?
  • política e carros são assuntos nos quais a opinião das mulheres costuma ser solicitada apenas para comprovar estereótipos existentes, no estilo dirigirem/votarem mal. Quando alguma mulher se manifesta de forma contrária aos estereótipos, é considerada uma exceção e isso é suficiente para desqualificar sua opinião
  • Esse são só alguns exemplos. Quem quiser aumentar a lista, sinta-se à vontade.

    E, para quem quer melhorar o tratamento das mulheres, sugiro o How To das LinuxChix. Apesar de ser direcionado para pessoas da informática, é aplicável às outras áreas sem grandes perdas, já que o machismo é o mesmo…

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  1. acho que isso não é exatamente ser ignorada, simplesmente. é ser tratada de acordo com expectativas de gênero, ser cobrada numa posição determinada. mulher serve pra tais e tais coisas, e não pra aquelas outras que são domínio dos homens… isso é cobrar da mulher sua presença em certos âmbitos e atividades que são tipicamente “femininos”, e excluí-las do domínio masculino – do mesmo modo que o contrário também ocorre, com os homens. só que como o domínio deles é bem mais amplo e…, mais digno, por assim dizer, isso fica menos evidente. as imposições do âmbito masculino me parecem menos restritivas, na minha posição de mulher: me parecem mais fáceis de conviver. ainda assim, tem bastante homem que reclama também. enfim, imposições de posição de gênero são uma droga: o tempo todo somos lembradas a ficarmos no nosso lugar natural de mulher. e mulher serve pra ser bonita, arranjar um homem pra chamar de marido, cuidar da sua casa, ter filhos…

  2. Nos comentários do blog da Carla Rodrigues umas duas pessoas diziam que, assim que essa geração de pessoas acima dos 40 anos morrer, uma nova geração mais iluminada e menos preconceituosa tomará o mundo. E já vi esse tipo de análise num blog americano. Fico boba com isso! Os rapazes de hoje parecem hiper preconceituosos (ou será que a maioria dos trolls que espalha ódio anônimo pela blogosfera é formada por homens acima de 40? Ou por mulheres?). E quanto às moças, elas parecem viver na fantasia que o feminismo perdeu sua razão de ser, que alcançamos direitos iguais, e que não há por que lutar. Vejo muito mais conformismo nessa geração atual que na minha. Eu adoraria acreditar que tudo será uma maravilha assim que a minha geração morrer, mas não acredito nisso nem um pouco.
    Por enquanto, o que vejo é o mesmo da minha época de adolescente (nos anos 80): obsessão com o corpo, conformismo, aceitação de diferenças no tratamento de homens e mulheres… Quando vou a reuniões e festas, mesmo com mulheres mais jovens, continuo vendo mulheres num grupinho e homens num outro. E os assuntos “de mulheres” giram em torno de dieta, maquiagem, esmalte de unha, cabelo, gravidez…
    O fato das mulheres serem ignoradas na blogosfera só reflete a importância dada a nós na grande mídia. Nos grandes jornais (melhor nem falar nos pequenos), quantas colunistas mulheres há? Na TV? Nas revistas?
    Eu escrevo prum jornal médio, de SC, há uma década. E já ouvi que só tenho espaço lá por ter transado com algum diretor do jornal! Sabe, por algum motivo não imagino essa acusação sendo feita a um homem…
    http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com

  3. Pingback: O Feminismo & Eu.

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