Aventuras hidráulicas

Nas últimas semanas, Murphy veio me visitar, e trouxe até malas. Todos os imprevistos possíveis foram se sucedendo de forma inacreditável. O cúmulo veio na noite de sexta pra sábado, com uma torneira estragada e o registro do banheiro fechado para não aumentar o vazamento.

A manhã de sábado foi discutindo o que fazer: consertar ou comprar uma torneira nova? Chamar bombeiro ou arriscar as “prendas domésticas”? Optamos por comprar uma torneira nova porque, desde que mudamos pra este apartamento (em 2003!), achávamos as torneiras default horrorosas e pouco práticas. Como todo mundo que está acostumado a mudar sabe, depois da mudança o dinheiro desaparece. E depois os problemas se acumulam, as prioridades são outras, e aí estamos nós com as tais torneiras horrorosas depois de tanto tempo.

Não somos as pessoas mais hábeis do mundo, nem especialistas em consertos domésticos (em quase 8 anos, tivemos pouquíssimos problemas para resolver). Fomos a uma loja de materiais de construção, e escolhemos uma bela torneira. Chegando em casa, abrimos a caixa de ferramentas e descobrimos que não tínhamos a chave adequada para fazer a troca. Pra piorar, o flexível estava vazando também. À base de alicate genérico, conseguimos trocar a torneira, mas precisei voltar à loja para comprar outro flexível. Aproveitei para tentar comprar a chave adequada.

Consultei uns 3 vendedores. Um não sabia dizer qual era a chave certa, mas que eu não me preocupasse, porque o mecanismo era de rosca e eu conseguiria fazer a instalação sem chave ou alicate (esse não sabe MESMO do que está falando!) Outro ficou me olhando como se eu fosse uma aberração, só faltou perguntar diretamente por que eu não chamava um bombeiro (se fosse um homem comprando, ele não insinuaria isso). E um terceiro me mostrou a chave num kit da Tramontina, mas achou que eu não compraria, por parecer muito complicado (não vi nada de complicado em uma trena, uma chave ajustável, um estilete e algumas chaves de fenda). Eu querendo comprar, eles é que não queriam vender. Tem lógica?

O que eu aprendi dessa história toda:

  1. verifique todas as ferramentas ANTES de sair de casa para comprar os materiais necessários. Não acredite que a caixa de ferramentas está completa sem conferir o conteúdo dela
  2. o kit Lady da Tramontina é uma piada. Se antes eu não compraria, por saber que é limitado (não dá pra desmontar computador com ele), hoje eu tenho certeza de que é simplista demais
  3. vai trocar a torneira ou o flexível? Compre uma chave ajustável
  4. pra quem tem pouca força nas mãos (tipo eu), uma parafusadeira é muito útil. Não tem nada a ver com a parte hidráulica, mas aproveitamos que tinha uma parafusadeira mequetrefe em promoção, compramos e consertamos os puxadores bambos dos armários da cozinha
  5. você é canhoto/a? Tenha sempre alguém destro por perto, porque praticamente TUDO é feito por e para destros. Aqui em casa sofremos com isso: sou destra, mas não tenho força nas mãos. O marido supre este meu defeito, mas é canhoto…
  6. é muito divertido consertar a própria casa. Dá trabalho, faz bagunça, mas o resultado é gratificante.
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Um pensamento sobre “Aventuras hidráulicas

  1. Engraçado, na última vez que estive numa Leroy Merlin da vida tive a impressão de que os kits de ferramentas agora são voltados pra mulheres. O que tinha de bolsinha bonitinha, malinha, luvinha, tudo cheio de frescura, não é brincadeira. Mas não cheguei a checar a composição dos kits pra ver se prestavam. Na época procuramos coisas pra uma reforma de um armário (primeira vez que usei uma furadeira na minha vida) e as peças avulsas pareciam mais viáveis. E os vendedores hoje em dia não sabem nada mesmo. Fui perguntar de uma tal base nitrocelulose e o vendedor não tinha a mínima idéia do que eu estava falando (tem outro nome comum, mas foi isso que meu pai – que é marceneiro, entre outras coisas – tinha dito pra eu procurar).
    Eu sei que, se soubesse que posso me sustentar com isso, largaria esse trabalho intelectual FÁCIL pra virar faz-tudo de casa.Acho uma delícia. É diferente de ficar na frente de um computador escrevendo. É uma coisa que você CONSTRÓI, pega na mão, vê. É concreto, não abstrato.

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