O Globo contra Letícia Fernandez, eu e você

A cultura popular é permeada com idéias que a variedade erótica é perigosa, doentia, depravada, e uma ameaça a tudo desde pequenas crianças até segurança nacional. A ideologia sexual popular é uma sopa nociva de idéias de pecado sexual, conceitos de inferioridade psicológica, anti-comunismo, histeria de massa, acusação de bruxaria, e xenofobia. A grande mídia sustenta essas atitudes com implacável propaganda (RUBIN, Gayle. Pensando o Sexo: Notas para uma Teoria Radical das Políticas da Sexualidade, p.15 [PDF])

No último mês, depois de acompanhar o blog “Cem homens“, escrito pela Letícia Fernandez, pude comprovar tudo isso aí que a Gayle Rubin está descrevendo. Letícia fala de sexualidade com leveza, sem preconceitos. Porém, dizer que faz sexo casual e que gostaria de fazer sexo com cem homens em um ano gerou diversas ondas de reações e comentários extremamente grosseiros e sem noção.

Nos comentários que Letícia divulga no Tumblr ou no twitter fica nítida uma mentalidade tacanha, machista, que acha que sexo casual é perigoso (associado a doenças), e que exercer a sexualidade por meio de sexo casual (e não dentro de um casamento heterossexual e monogâmico) é doença, depravação, fim dos tempos. Ao mesmo tempo, os homens a assediam grosseiramente, como se ela não tivesse vontade própria e só existisse para atender às fantasias deles.

E agora, temos a mídia se interessando pelo blog. Alguns pela curiosidade. Outros, como a Globo, atuando para criticar a vida sexual de Letícia (e a minha e a sua também).

O moralismo da Globo

Na semana passada a Globo colocou uma chamada no site G1 comparando Leticia com a Bruna Surfistinha (pra quem não se lembra, uma ex-prostituta). Em comum, elas têm blog e falam sobre sexo. Porém, os leitores entenderam que Letícia seria uma prostituta, e lotaram blog e caixa de e-mail com uma nova enxurrada de comentários grosseiros.

Porém, o horror maior aconteceu hoje. A rádio Globo transmitiu uma entrevista com uma mulher que se passou por Letícia. Como se não bastasse a mentira, os entrevistadores foram extremamente grosseiros. O áudio da entrevista já foi tirado do ar, mas pode ser ouvido aqui.

A entrevista em si é péssima, feita para zombar da entrevistada. Leticia é apresentada como uma jornalista baiana que quer se tornar a nova Bruna Surfistinha. Ele pergunta não só a idade dela, mas se “está tudo no lugar” [afinal, mulher só faz sexo se for bonita; e ainda tem aquele mito de que muito sexo faz o corpo da mulher desabar]. A co-apresentadora pergunta se Letícia cobra pra transar [mulher fazendo sexo casual ainda é visto como vadiagem, prostituição!], e como que ela irá provar que “deu pra cem” [como se Letícia tivesse de prestar contas pra alguém]. O apresentador pergunta se no blog tem o endereço pra quem quiser transar com ela entrar em contato [como se ela fosse uma boneca inflável à disposição dos caras, sem escolha alguma]. E finaliza dizendo “tem maluco pra tudo” [pra quê educação e neutralidade jornalística, né?]

O esclarecimento da rádio Globo, por sua vez, não esclareceu nada. Pior, demonstrou completa falta de noção de geografia e preconceito contra nordestinos. Afinal, ouviram dizer (sabe-se lá onde) que Letícia seria nordestina e, por isso, entraram em contato com uma rádio nordestina (Nordeste é uma cidade ou uma região? Quantas rádios existem no Nordeste???) que apresentou uma suposta assessora de imprensa de Letícia. Mandar e-mail para o endereço que está no blog, pelo visto, é mais difícil do que entrar em contato com uma das várias rádios do Nordeste.

Isso obviamente não é jornalismo. É moralismo do pior tipo. Com o defeito de atingir milhões de pessoas, propagando mais preconceito. A Globo teve duas oportunidades de falar sobre o blog de Letícia; nas duas vezes, foi preconceituosa. A Globo agora resolveu mudar uma abertura de novela antiga porque ela não é compatível com os padrões morais atuais do país.. No entanto, a Globo tem poder suficiente para ditar novos padrões morais, menos conservadores. Nem parece que é a emissora que criou Malu Mulher, Quem Ama não Mata, TV Mulher.

Pra saber mais sobre a Letícia, é melhor ler a entrevista feita pela Verônica Mambrini. Fica bem claro que tem uma mulher de verdade, inteligente e com ideias interessantes escrevendo o blog. Ela não é reduzida a uma vagina querendo cumprir meta, como a falsa entrevista do Globo faz parecer.

Marcha das Vadias

Não é à toa que a Marcha das Vadias tem ocorrido em diversos lugares. As mulheres estão dizendo o tempo todo “parem de querer ditar como eu devo agir em relação à minha sexualidade“. Em resposta, a mídia diz – e incentiva – exatamente o contrário: “se você quer definir o que vai fazer com sua sexualidade, eu vou te desmoralizar até você se adequar ao meu padrão de castidade“.

E aí eu volto ao início do post: como vamos mudar essa cultura machista que destrói a sexualidade das mulheres? Como parar com o tanto de comentários e agressões gratuitas infernizando a vida de uma mulher só porque ela quer fazer sexo casual e exercer sua sexualidade livremente?

Letícia não é só um pseudônimo no blog. Ela é cada uma de nós: uma mulher que todo dia luta pra exercer sua sexualidade da forma que desejar sem ser xingada ou punida por isso.

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43 pensamentos sobre “O Globo contra Letícia Fernandez, eu e você

  1. Eu conheci o blog após a polêmica no twitter. Acho uma bobagem essa idéia de que aproveitar com naturalidade a liberdade sexual é transar com cem pessoas e escrever sobre isso na internet. É um dado médico estatisticamente confiável: quanto mais parceiros vc tem, maior é a chance de pegar infecções sexualmente transmíssiveis – o número de parceiros é fator de risco para câncer de colo de útero, herpes genital e até AIDS, e eu faço a ressalva de que o preservativo não é 100% seguro (é até bastante ineficaz no caso do herpes genital, por exemplo).

    Mas digressiono. Não tenho interesse em policiar a vagina nem o pênis de ninguém. Só resolvi comentar porque não entendi o assombro com a mudança da abertura da novela. É evidente que o fundamentalismo pentecostal, e o interesse da Globo em arrebanhar esse mercado, está no cerne desta questão, explicando até o “recrudescimento moral” da emissora, comparando a blogueira a uma prostituta.

    O que me leva a seguinte questão: ser blogueira sexualmente “liberada” pode, mas chamar de prostituta não? Estaremos perpetuando os estereótipos?

    • Livia, já que você gosta de estatísticas, me diga se é mais provável eu pegar alguma DST quando todas as minhas relações são com camisinha ou se isso acontece com mais frequência com mulheres que têm relações só com um parceiro – mas que, ora vejam só, tem, por exemplo, HPV?

      Estou falando de coisas concretas. Jamais tive nenhuma DST e tenho amigas que só namoraram com um ou dois caras fazendo cauterização do colo do útero. Algumas delas jamais poderão ter filhos.

    • Livia, liberdade sexual significa inclusive fazer sexo com quant@s parceir@s quiser, da forma que quiser, e falar ou escrever sobre isso. Sob qualquer aspecto, não é uma bobagem.

      Estatística e pesquisas médicas podem ser (e sempre foram) usadas pra impor um modelo conservador em relação a sexo. Antigamente relacionavam DSTs a homossexuais, como se héteros nunca tivessem tido uma doença venérea na vida. E quando falam do número de parceir@s aumentando probabilidade de doença, sempre me lembro das mulheres mais velhas, monogâmicas, que só tiveram um parceiro na vida, e que foi justamente ele que as infectou com o HIV.

      Sobre o conservadorismo da Globo: não é só uma questão do fundamentalismo pentecostal HOJE. É mais uma questão de como que o mundo, em 20 anos, ficou mais conservador? Onde estávamos que não percebemos isso, nem atuamos contra isso?

      E acho que você está confundindo as coisas em relação a prostituição e liberdade sexual. Quem se prostitui abre mão de seus desejos sexuais para realizar os desejos dos clientes – e vai ser paga por isso. É uma profissão (procure por profissional do sexo no site do Ministério do Trabalho, tem contrato de prestação de serviços. É bem diferente de alguém querer transar com quem quiser, realizando os PRÓPRIOS desejos – que é o foco de todas as discussões sobre liberdade sexual.

      • Vcs estão um pouquinho enganadas. Eu não condeno ninguém, como falei não tenho interesse algum em vigiar a liberdade alheia, cada pessoa deve ser livre para usufruir de seu corpo e para experimentar suas emoções da forma que achar mais conveniente. E me deixa triste pensar que podemos ter essa liberdade tolhida por doenças, gostaria que elas nem existissem.

        Mas para nós, profissionais de saúde, está acima de qualquer bobagem conservadora (e de qualquer defesa insensata de comportamentos deletérios) que o alto número de parceiros sexuais pode ser um fator de risco para adquirir doenças sexualmente transmissíveis. Um homem homossexual que tenha tido três parceiros *estatisticamente* tem menos chance de contrair uma doença do que uma mulher heterossexual que tenha tido 50. Vamos olhar com ênfase para o advérbio: você pode pegar HIV na primeira relação sexual da sua vida, mas a chance é muito maior conforme aumenta o número de relações que você tem. Isso não é a estatística usada de forma conservadora, é a mais óbvia – e neutra – matemática.

        É um fato que o preservativo de barreira masculino (e mesmo a camisinha feminina) não é um método que garanta 100% de proteção contra todas as DSTs. Sífilis, HPV, herpes genital e até linfogranuloma venéreo podem ser contraídos numa relação sexual *apesar* do uso da camisinha. E mesmo a proteção que estes métodos conferem no coito anal/vaginal não é garantia que de outras formas de contato sexual não vão ocorrer de forma desprotegida. Um dos maiores causadores de câncer de boca atualmente é o HPV – quantas pessoas usam preservativo no sexo oral, por exemplo? Você usa todas as vezes, Letícia? Aliás, eu já vi lesão primária de sífilis na mão de um paciente e na mama de outra. É triste, mas existem muitos relatos de transmissão da própria sífilis até através do beijo.

        Falar em “grupo de risco” é uma bobagem sem tamanho, e é uma covardia pensar que eu esteja sugerindo algo do tipo. Mas existem comportamentos que podem sim aumentar o risco de se contrair uma doença, e ter um grande numero de parceiros/as é um deles. Isso não significa que eu esteja condenando a Letícia ou qualquer outra pessoa que faça o mesmo, muito menos defendendo abstinência ou algo do tipo: significa que há riscos, e que é interessante colocá-los na lista de prós e contras na hora de discutir um caso do tipo.

        É óbvio que eu não sei quantas pessoas significam “muitas”, mas sei que quanto mais gente, maior o risco. No caso da blogueira, mais de 100 homens me parece uma cifra alta para quem não faz sexo profissionalmente, mas talvez eu esteja apenas sendo ingênua ao comparar com a minha média, admito, hehe. E não posso fazer nenhum julgamento de valor a respeito dela baseada apenas na quantidade de gente que já passou pela cama da moça – mas acho que ela pode estar sendo tola ao ignorar os riscos que corre, ou excessivamente temerária ao decidir corrê-los (e teria opinião equivalente sobre um homem que decidisse realizar o mesmo, principalmente no que tange à bobeira de divulgar a coisa – mas jamais impediria alguém de fazê-los). Então não precisam me jogar em nenhuma fogueira, porque eu não tenho intenção de queimar a Letícia. Por sinal, que grande babaquice armaram contra vc, e isso é inegável. Não compartilhar das suas crenças não significa que não me solidarizo com sua situação.

        Sobre as prostitutas, agradeço a informação, mas já estava a par dela, Cynthia. Não estou achando que se prostituir e transar com quantas pessoas quiser é a mesma coisa. Só acredito que pensar que é tão horrível ser chamada de prostituta é um desserviço às prostitutas. Sempre achei pior me chamarem de “burra” do que me chamarem de “puta”. A prostituta é uma mulher que tem de fazer um trabalho horrível, correndo uma porção de riscos, para sobreviver economicamente. E ver outras mulheres acharem o fim da picada ser chamadas de prostitutas, como se ser garota de programa fosse a pior ofensa do mundo, é um pouco triste.

        Por fim, realmente parece que o mundo está ficando mais conservador, mas creio que a radicalização religiosa, de todas as denominações, tem papel preponderante nisso. E no Brasil o neopentecostalismo vem crescendo de vento em popa, num processo que provavelmente tem mais tempo do que duas décadas.

    • Lívia, concordo com você sobre os estereótipos… e na parte do: “Acho uma bobagem essa idéia de que aproveitar com naturalidade a liberdade sexual é transar com cem pessoas e escrever sobre isso na internet.”
      _______________________________________________________________
      Letícia, “eu eu vc….”:Não sou a favor de falsos moralismos, mas acho que “conceitos”(ou pré..como queiram) são muito subjetivos. o que significa ser prostituta pra você ou pra mim pode ser muito diferente, daí falar que quer transar com cem homens de forma casual obviamente vai gerar muitas opiniões,ninguém tem o direito de te desmoralizar, assim como ninguém tem a obrigação de achar isso natural…(eu, por exemplo não acho e essa é a minha opinião)
      Mas também é um absurdo a falsa entrevista que diz que foi feita…falta de respeito com a letícia.

  2. Fiquei pensando sobre o que escrever e de fato até acreditei ser melhor nada escrever, mas pensei que se omitir é aceitar, compactuar que situações como essa continuem a ocorrer.

    É lastimável que um veículo comunicativo se expresse de forma tão absurda e sem qualquer fundamento racional em que possa se justificar, com a única intenção de se promover e manipular os pensamento daqueles que se valem dela para ter acesso a informação. Jornalismo precisa ser feito com ética, veracidade e principalmente respeito, a globo nunca soube o significado disso.

  3. Essa entrevista da rádio é uma palhaçada, e essa mulher imitando a Letícia é outra palhaça, não sabe nem o que dizer, não sabe falar direito. Não dava pra processar essa rádio???

  4. Fico horrorizada com os comentários que leio a respeito desse blog. Nessas horas a galera libera o pior de si. É incrível como relacionam a liberdade sexual das mulheres a coisas horrendas e moralmente inválidas. Sem contar que quando as pessoas não querem xingar e abusar pra não “perder a classe”, elas se valem do velho argumento do “ô dó”: é uma peeeeeeena que ela não se valorize, que dó que eu tenho dela. E assim ficamos, dignas de dó ou asco, nunca vistas como seres humanos possuidores de vontade própria e autonomia.

  5. Olá Cynthia

    Muito legal você se posicionar dessa forma.
    Respeito é bom e todos nós gostamos!
    Pena que pouca gente se dispõe a enxergar que
    o preconceito não deve pautar nossas atitudes.
    Abraço

  6. Muito, muito bom texto. Concordo com tudo.
    Apenas uma consideração: se fosse um homem fazendo um blog/projeto sobre transar com 100 mulheres no ano, choveria patrulhamento também. Talvez de outro tipo, talvez de outras pessoas. Mas tenho certeza, seria massacrado também.
    Evidente que eu não estou falando que seria a mesma coisa, muito menos ignoro o fato de que as mulheres sofrem muito, muito mais nesse campo.
    Nesse blog da Letícia, há um post sobre bulling sexual em que há relatos de mulheres que o cometem também. “Ogrice” não é privilégio de gênero nenhum. (E não, eu não ignoro o fato de que os homens lideram nesse campo.)
    Caminhamos a passos muito lentos.

  7. Fico até sem graça em comentar, pois seu post foi ótimo.
    E é isso mesmo, quando alguém ou alguma coisa não se adequa como a maioria quer é pressionado até mudar. As pessoas querem que as outras sofram com as escolhas que fizeram para a vida.
    Parabéns pelo seu post!

  8. Muito bom seu texto! Fico chocada de como as pessoas ainda se preocupam tanto com a vida alheia. Se cada um cuidasse mais de si, o mundo seria (talvez) bem mais leve e divertido. Vejo como em grupos, meninos e joven adultos, ainda preocupados com a opinião do grupo, que agem como trogloditas quando, na verdade, são até sensíveis e preocupados. Mas em bando, eles não podem demonstrar “tamanha fraqueza”. A mulher, neste caso, é só um detalhe, uma vagina que anda. Tem as que virarão “mães de família” e as que serão eternamente putas e sozinhas. Por que, né, se você quer fazer sexo assim, casual, é por quê você não pode ser uma mulher “para casar”. Fico me perguntando se, nesse caso, é mesmo bom ser considerada casadoira…

  9. Amo o blog da Letícia. Adoro o jeito simples com que ela trata de sexo. Sexo é bom e todo mundo faz. Chega de falso moralismo.
    Cynthia, muito boa sua análise. É isso mesmo. Letícia é cada uma de nós. Deixemos aflorar nossos desejos e torçamos para que tenha alguém (ou alguéns) para satisfaze-los.
    Beijos.

  10. Meus deus do ceu…..que entrevista mais ridícula que eles divulgaram na rádio….isso não é coisa que se faça….
    Como se transar com 100 homens fosse algum problema…..cada uma faz oq quer da vida….quem somos nós de ficar se metendo na vida dos outros….
    Falar que é bater recorde tb é péssimo….comparando com protituta….uma prostitua transa muito mais que isso em 1 ano….
    Simplesmente péssimo…

  11. É triste que a sociedade ainda é machista, mas sou otimista, acho que está mudando, de pouco em pouco mas está, e pessoas como você a Letícia F. ajudam nessa aceleração!
    Outra coisa, a mentalidade das pessoas tbm, a globo já não consegue mais manipular a todos como antigamente, já tem uma pequena, mas existe uma parcela de gente que já não se deixa enganar por essa emissora.
    Parabéns pelo post!

  12. Pingback: Liberdade de expressão e diversidade: diálogos | A Tal Mineira – Blog da Sulamita

  13. Oi, querida. Só fiquei sabendo desse papo agora, ando meio fora do ar. Mas seu texto está ótimo! E até quando vamos conviver com esse nível subterrâneo de jornalismo, hein? Aff…

    Beijos
    Rita

  14. Muito pertinente seu texto, Cynthia. A pergunta que você apresenta antes de concluir seu raciocínio certamente tem respostas múltiplas (confesso que ainda me espanto por sermos obrigados a debater uma situação tão tosca como essa no século 21), mas talvez a frase de Gayle Rubin aponte a direção mais adequada quanto ao que fazer para mudar essa cultura machista: uma profunda democratização da mídia, capaz de gerar discussão de ideias e anular os efeitos do bombardeio cerrado a que as forças conservadoras dominantes submetem sua audiência a cada minuto. Com relação ao comentário do leitor Marcus, discordo da comparação. Da criminalização do aborto à objetificação sexual, passando pelo exercício da sexualidade, o que está em jogo é o controle da sociedade machista sobre a mulher. É preciso parar de fingir que nada está acontecendo e agir para acabar com esses instrumentos pré-medievais de dominação. O corpo pertence à mulher. Se em vez da Letícia fosse o Letúcio, o sujeito seria visto mais como um “comedor fanfarrão” do que como um “vagabundo promíscuo”.

  15. Engraçado, a emissora citada sempre fala sobre estupros em seus programas jornalísticos, sempre aborda temas relacionados (direta e indiretamente) ao sexo, mas mostra-se horrorizada quando o assunto é a vida sexual das mulheres. Então quer dizer que aparecer um maldito filho da mãe que estuprou mulheres, abusou da saúde mental e física das mesmas é normal (de ser mostrado na tv) e uma mulher (entre milhões que não têm coragem de se revelar) é “crucificada” desta maneira apenas por ter sua sexualidade aflorada? É isto o que o povo pensa? O mais cômico de tudo, programas de televisão expõem mulheres semi-nuas e isso é bonito, mas se as mesmas mencionarem que a vida sexual delas é “extrema” (como o permitido, no caso do homem), então elas devem ser “condenadas à fogueira”?
    Essas pessoas que tanto criticam, se dizem machistas, abominam e não aceitam o fato de que a mulher também é um ser-humano, que a mulher também tem suas necessidades e assim como todo ser vivo, também precisa de sexo… ESSAS PESSOAS TINHAM MAIS É ENFIAR O PRECONCEITO… ISSO NÃO É MORALISMO, É OPRESSÃO, É DESRESPEITO, É UMA TENTATIVA DE SUPERIORIDADE, PORÉM QUEM TANTO REBAIXA E DESQUALIFICA AS MULHERES QUANDO DESCOBREM QUE ELAS TAMBÉM TÊM VIDA PRÓPRIA, É PORQUE ELES MESMOS SENTEM-SE INFERIORES POR NÃO CONSEGUIREM MOSTRAR O QUE REALMENTE SÃO E QUEREM PRA SI.
    DIREITOS IGUAIS SEMPRE PORQUE HOMEM ACHA QUE MULHER É OBJETO. OBJETO ESTE QUE ELE PODE ABUSAR SEXUALMENTE, MORALMENTE, QUE ELE PODE ESPANCAR… OS HOMENS VÊEM AS MULHERES COMO ETERNAS ESCRAVAS E ISSO TEM QUE MUDAR.

  16. Cynthia,

    Você, como sempre, muito educada e sensata no post.

    Sinto-me envergonhada como jornalista por conta desta falsa entrevista. Como você mesma disse, era fácil entrarem em contato comigo.

    Quanto às pedradas que recebo, elas me entristecem por vários motivos, obviamente. E um deles é porque sei que muitas mulheres não conseguem viver plenamente sua sexualidade por que sabem que também serão julgadas. E o pior é que elas estão certas.

    O que eu posso fazer é continuar tentando escrever o blog. E com certeza o seu espaço também tem função social importante nesse sentido.

    Muito obrigada pelo apoio e pelas palavras doces.

    Um beijo!

  17. fiquei chocada com o mentário da lívia… sério msm q tem gente q ainda pensa assim? “quanto mais parceiros vc tem, maior é a chance de pegar infecções sexualmente transmíssiveis” – q coisa mais século passado!

    lívia, o número de parceiros não aumenta suas chances de pegar DSTs; o q aumenta suas chances é o número de vezes q vc transa sem camisinha. herpes é realmente um caso especial pq ela passa por contato físico e não por fluido corporal [embora eu desconfie q camisinha feminina possa ajudar nessa questão já q tem akela parte q fica pra fora], mas isso definitivamente não está ligado ao número de parceiros… e nem ao ato sexual em si – basta dar um beijo.

    o q vc vai dizer da próxima vez? q homossexuais são mais propensos a pegar doença venérea também?

    credo.

  18. Eu tinha achado só meio besta e fútil a proposta do blog e da Letícia. Mas depois de ler a entrevista dela pro Ig, fiquei meio triste, um pouco com dó. Ela parece estar resolvida com a situação, mas ao mesmo tempo revela tanta carência que fiquei um pouco triste com a situação, confesso. E, já que estamos lidando com o assunto da perspectiva do feminismo, já deixo claro que também acharia triste se no lugar de Letícia fosse um homem. Eu concordo com o que ela diz que ninguém deveria esperar o Príncipe Encantado e idealizar o homem da sua vida. Mas só quem já teve uma ligação muito profunda com alguém percebe que passar a vida sozinha é perder o que a vida tem de melhor. Achei tão desesperançoso e vazio o discurso dela que me fez pensar se sexo casual (ou ao menos nessa quantidade) às vezes não é uma válvula de escape para a carência travestida de liberdade sexual.

    • Pois eu estou é impressionada pelo seu comentário, pois está julgando e condenando a liberdade sexual de outra pessoa, inclusive presumindo coisas (carência, válvula de escape) que não têm como serem presumidas pelo pouco de informação que foi fornecida. Ler um ou outro artigo, ou uma ou outra entrevista não significa que você conhece a pessoa a ponto de poder fazer análise psicológica dela e sair julgando seu comportamento.

      Outra coisa problemática: existem pessoas que têm ligações profundas, outras que têm relações superficiais, outras que alternam entre esses pólos. Nada disso é – ou deveria ser – um problema. Não existe um modelo de certo ou errado em relação a relacionamentos. Então acaba sendo preconceito você vir julgar alguém por causa disso, contribuindo pra cercear a liberdade sexual das pessoas.

      • Calma, Cynthia. Foi só um comentário aleatório. Não tem nada de preconceituoso nisso. (me desculpe se vc for ou conhecer a Letícia, não era para ficar ofendida com tão pouco) Sexo casual é um direito de qualquer um, homem ou mulher. Não foi esta parte da história que me chamou a atenção, mas a parte em que ela diz que tem 30 anos e nunca se envolveu profundamente com ninguém, teve um namorado que não gostou. Ela quem decide se quer passar a vida inteira assim, e pouco me importa, só achei ou pouco triste mesmo.
        Também não acho que a saída para o tratamento que os homens dão para as mulheres desde sempre (o de objeto) seja tratá-los da mesma maneira criando um blog sobre tamanho, performance, qualidade da transa, etc. É claro que isso é fútil, porque é superficial, não vai além, não se aprofunda, etc. Agora se é isso que a Letícia ou quem mais for quer, ela tem todo o direito. As pessoas têm o direito de agir como quiserem, e nisso eu concordo perfeitamente com vc. Feliz, infeliz, carente, insegura, não é bem da minha (nem da sua) conta. É importante só que ela tenha direito de ser assim.

      • Cynthia, fica até difícil contestar alguém depois de você. Suas respostas são sempre muito inteligentes e certeiras.

        Moça que disse que eu sou carente e preciso de válvula de escape: eu já fui muito carente, sim. E era justamente nessa época que eu me submetia aos homens. Como? Sendo traída, por exemplo, e achando absolutamente normal (eu era virgem e ele “fazia com as outras o que não podia fazer comigo”). Eu achava que o amor romântico é que me preencheria. Pois bem: percebi que é o amor por tudo e por todas as coisas, inclusive pelas mulheres desconhecidas que comentam no meu blog, que é capaz de me transformar em uma mulher plena. E foi isso que aconteceu. Hoje sou cheia de amor. Sou muito, muito feliz neste aspecto. E sabe o que aconteceu? As pessoas passaram a me amar mais, inclusive romanticamente.

      • Quanto à válvula de escape, sim, é claro que já usei o sexo como fuga. Assim como as pessoas que bebem, fumam, se drogam, usam remédios controlados (eu não faço nada disso). Me arrependo? Não. Fui feliz, gozei e voltei pra casa tendo passado alguns momentos de prazer.

        Atualmente não sinto necessidade de fazer isso. Mas se um dia eu estiver bem triste e tiver um homem gostoso dando sopa… bom, eu irei transar, sim.

        As pessoas não precisam de justificativas para exercerem a sexualidade. Elas simplesmente sentem desejo. É muito simples. Não deveria ser tão difícil compreender (e aceitar) isso.

    • @Cynthia concordo em partes com que a @vanamedeiros disse.
      A Letícia parece transparecer essa pessoa bem resolvida e segura de suas ações, até acredito que seja assim mesmo, mas também acho que por trás disso também noto uma certa carência, ou de suprir algo além da vontade.
      Quando ela diz não acreditar em príncipe encantado concordo com ela, não devemos passar para o outro a responsabilidade de sermos felizes, devemos ser feliz com nós mesmos para fazer outras pessoas felizes e assim por diante.
      Se a Letícia é feliz sendo assim, ótimo, o importante é ela se sentir bem.
      mas será uma felicidade genuína e verdadeira?
      Ou será um válvula de escape para algum tipo de problema?
      Sexo é bom ,tudo mundo gosta, eu apoio essa liberdade sexual das mulheres, devem existir muitas mulheres que transam com mais de 100 homens em um ano, mas foi a Letícia ela veio expor isso na internet, e fazendo assim fica na linha de frente para receber críticas e elogios das pessoas que estão lendo sobre o blog.
      Não estamos aqui para julgar ou não a Letícia, mas sim de expressarmos nossa opinião nesse espaço democrático.
      Abraços

  19. Conheço o blog, li algumas postagens. Mas eu ainda fico boba com as pessoas. Isso pra mim n é nada fora do normal, eu achei inclusive que a Letícia era um personagem, não sei se realmente eu acredito que alguém tenha essa meta; transar com 100 homens em um ano. Eu não vejo motivo pra isso, mas também se alguém quer fazer e desde que tenha o devido cuidado com a sua saúde. Todos nós somos livres. E quanto a reportagem eu não vi, mas só de ler eu já consigo descobrir o radialista e sua “assistente”. Normalmente a entrevista e´rapidinha e a pessoa não tem direito de falar nada, parece o Faustão entrevistando.
    E a falsa Letícia se meteu nessa pra que? Totalmente sem razão de ser isso.

  20. Como eu já disse na Lola, particularmente não curti a proposta, Porque sou pessoalmente contrária a qq proposta que opte por quantificar algo. E não aposto no sexo casual como algo positivo. Não interessam aqui minhas razões, exatamente por isso, são MINHAS razões.
    Isso me permite não ler a Letícia, mas NUNCA me permitiria vomitar regras pra ela, catequizá-la, berrar normas de conduta e/ou valores.
    Fico muito chocada ao ver quando pessoas dizem que a autora parece ser “carente” ou quando se chocam quando percebem que a comparação com prostitutas é inadequada.
    Por partes; dizer que ela é ou não carente é leviandade. Não há elementos pra julgar isso, só posso julgar que isso é transferência…
    Quanto a comparação com as prostitutas, basta saber que essas profissionais são…profissionais, o que equivale a dizer que isso é sua profissão, seu trabalho, dinheiro. A blogueira é jornalista, ponto.
    Sua vida sexual não é monetizada, então, qual é a lógica em chamá-la de Bruna Surfistinha?
    Eu achei a situação toda dessa entrevista deprimente, porque além de ser um troféu de incompetência – por não ter verificado a fonte – foi um festival de bobagens, com perguntas patéticas e tolas.
    Eu imagino como ela deva estar se sentindo e me solidarizo com a autora.

  21. Eu aposto q se fosse um homen fazendo isso nao teria todo esse mimimi,a vida eh dela ela faz o q kiser,gente estamos no seculo 21, agora pq uma pessoa gosta de sexo tem q sofre toda esse preconceito? o que eh isso ? onde estamos vivendo? no seculo 17? Tem tanta coisa feia ai pelo mundo e todo esse estardalhaço por causa de uma pessoa bem resolvida, determinada,eu acompanho este blog desde o começo e adoro ele,todos nos somos livres para faze o q kisermos.

  22. Pingback: Letícia 100 Homens « Vácuo Cheio

  23. Cada um é responsável por suas atitudes, concordo plenamente que não devemos julgar a atitude de ninguém, não sabemos o motivo daquela determinada ação. O problema é quanto isso interfere na liberdade/integridade alheia, como por exemplo, alguém que sente prazer em machucar animais.
    Agora como médico devo reafirmar que a quantidade de parceiros sexuais é diretamente relacionado a chance de possuir alguma DST, não é teoria, é comprovação científica. Não estou dizendo que as pessoas não devem ter muitos parceiros sexuais, e sim que isso é relacionado com DSTs.

  24. Pingback: Sobre o meu post “despublicado” no site do Luis Nassif « Cynthia Semíramis

  25. que “entrevistinha” tosca… pelo amor de Deus… penso que a Globo pelo menos poderia ter armado a coisa com mais competência se queria fazer uma pessoa de passar pela Letícia… a pessoa não sabia falar, e sequer havia lido o blog… não cabe a nenhum de nós julgas as atitudes da Letícia, mas fazer o que a Globo fez além de extremamente antiético é crime… eu no lugar dela moveria um processo contra a rádio e ainda pediria ao Juiz que o mesmo corresse em segredo de justiça, assim não poderiam revelar a identidade dela e levariam o que merecem. Bola pra frente… abraço!

  26. E vc naum comeria cem mulheres (se elas dessem sopa) por medo de pegar ‘DSTs’, neh?

    Ah, faça-me o favor!

    Liberdade a todos pra fazer o q kiserem e com qm kiserem, desde q o(s) outro(s) estejam de acordo.

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  29. Eu estava procurando reportagens sobre a “polêmica” Letícia e acabei aqui, achei interessante o fato dela ter uma meta de transar com cem homens em um ano só, concordo que ela definitivamente é uma pessoa bem resolvida na questão de sua sexualidade. Muitas pessoas, no geral sempre dizem vá em frente e faça o que você tem vontade… mas isso fica apenas na teoria na prática mesmo ficamos cobertos debaixo do moralismo. Eu vi hoje em algum lugar (acho que foi no face) uma frase que dizia assim: “o que você faz na frente dos outros é aparência, mas o que faz quando está só é quem você é”. Essa frase quer apenas nos lembrar o quanto hipócritas somos na maioria das vezes por medo do que a sociedade(ou a mídia) vão pensar, dizer, fazer e acontecer. Parabéns pela sua coragem, você com certeza é uma pessoa que entendeu o significado de viver, de que temos um tempo curto nesta terra e que num futuro mais próximo eu tenho certeza que você nunca irá pensar: “Puxa, eu deixei de fazer isso ou aquilo, por causa do que os outros iriam pensar/comentar…” Não sei se esse é um começo de revolução sexual,mas ei que existe muita mulher por aí também é louca pra transar e fica passando vontade. Não colocar as expectativas no outro é simplesmente ser livre para ser feliz por si só, e acredito que se um dia você resolver ter um homem estável na sua vida (sei lá vai que de repente alguém mais do que especial aparece) tenho certeza que essa pessoa estará feliz ao seu lado sendo fruto de casamento ou não. (desde quando casamento prende alguém né? Se prendesse então pra que diabos existe o divorcio e traições?) Bom confesso que gostei do seu exemplo, não apenas com relação a sua sexualidade, mas nisso você está se conhecendo e vivendo sem mascaras, vocÊ é quem você: Uma mulher muito inteligente e bem resolvida! Meus parabéns Leticía tudo de bom pra você para a outra forte mulher que escreveu esse blog Cynthia Semíramis.

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