Michelle Bachelet fala sobre internet às Blogueiras Feministas

Michelle Bachelet lutou contra a ditatura chilena e, em 2006, tornou-se a primeira presidenta do Chile. Atualmente ela é a diretora executiva da ONU Mulheres, uma entidade das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres.

Na noite do dia 14 de dezembro, Michelle Bachelet discursou (transcrição em espanhol) na 3° Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. Afirmou que não há desenvolvimento, nem sustentabilidade, sem que as mulheres sejam incluídas em todos os processos, áreas e níveis, inclusive em relação a participação política. Ressaltou a união das mulheres brasileiras em torno de um processo político de luta, que inclui mulheres dos mais remotos lugares da selva amazônica, do agreste nordestino, da periferia das grandes metrópoles, das comunidades rurais, entre outras. Todas representantes e conhecedoras da realidade cotidiana das mulheres e preparadas para construir juntas propostas e reivindicações fundamentais para uma sociedade mais justa e igualitária.

É a primeira vez que Michelle Bachelet visita o Brasil na qualidade de Subsecretária Geral da ONU e Diretora Executiva da ONU Mulheres, entidade criada em 2010, que iniciou suas atividades em 2011. A criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, denominada ONU Mulheres, é uma vitória para o movimento de defesa das mulheres no mundo. E reforça a importância da existência de órgãos governamentais específicos para mulheres.

Quando presidiu o Chile, Michelle Bachelet contou que percebeu que os programas econômicos não eram suficientes para acolher mulheres desempregadas, por exemplo. “Não pode haver políticas neutras porque elas não atingem as mulheres. As políticas precisam ter especificidade de gênero, senão o resultado não será sustentado e nem garantirá os direitos”, disse a representante das Nações Unidas (ONU), ao participar da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, iniciada na última segunda-feira (12).

Sobre desafios a serem superados, a diretora apontou o baixo número de mulheres em cargos políticos e também nos postos de negociação de acordos de paz em países com conflitos e guerras civis. Dos 194 países integrantes das Nações Unidas, somente 20 são chefiados por uma mulher e elas ocupam menos de 20% das cadeiras nos parlamentos mundiais. Para Michelle Bachelet, a reforma política é um bom caminho para mudar esse cenário trazendo como opção listas fechadas com número igual de candidatos homens e mulheres.

Continue lendo em Michelle Bachelet defende que políticas econômicas e sociais levem em conta as necessidades das mulheres. Matéria de Carolina Pimentel, repórter da Agência Brasil.

Bachelet relembrou semelhanças entre ela e a presidenta Dilma. Ambas, há trinta anos atrás, eram jovens comprometidas com a atividade política, militando pela democracia em contextos extremamente desfavoráveis em seus países. Naquela época a presença de mulheres em altos cargos era um sonho, mas hoje, afirma Bacheler: “nós podemos”. Ao finalizar seu discurso pediu a todas as mulheres presentes que tenham sempre em mente o que já foi conquistado para se inspirarem no futuro, pois, tomando emprestadas as palavras de Dilma: “tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres”.

Maíra Kubik e eu enfrentamos o sufoco criado por diversos jornalistas, fotógrafos e fãs que avançaram sobre Michelle Bachelet na sua saída do palco. No meio da confusão tivemos a oportunidade de perguntar sobre a importância da internet para mobilizar as mulheres. Confira o áudio com a resposta de Bachelet e abaixo a transcrição:

https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F30704507 Michelle Bachelet fala sobre internet by srtabia

“É uma ferramenta moderna, que pode chegar aos jovens de uma maneira atrativa e interessante para uma mensagem muito importante, como a da liberdade da mulher. Mas também para informar, para denunciar, para democratizar a informação. Vimos um processo político na África do Norte, onde tive a oportunidade de estar com jovens da Praça Tahir, onde eles usaram meios novos e além disso, tinha uma reunião com elas e estavam mandando Twitter a todos os seus amigos e amigas. A reunião foi muito maior” [tradução de Maíra Kubik]

Texto elaborado em parceria com a Srta. Bia e publicado originalmente no Blogueiras Feministas em 15/12/2011.

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