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Carta aberta à vadiagem de BH

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Desde 2011 construímos e participamos da Marcha das Vadias de Belo Horizonte em uma perspectiva feminista, polifônica, pautada e conduzida por mulheres, com ajuda e apoio de homens. Nosso interesse sempre foi o combate ao senso comum que atribui a culpa à mulher (especialmente pela violência sexual), e também visibilizar questões relacionadas aos direitos e à violência contra prostitutas, contra mulheres negras, lésbicas e transexuais.

Nesse processo procuramos estimular um espaço horizontal e transparente, calcado no respeito e na diversidade. Partimos sempre da percepção de liberdade sexual, autonomia e respeito, bem como da inclusão e diálogo com outros setores. Procuramos o desenvolvimento de atividades em conjunto com diversos coletivos tais como APROSMIG, Palhaças Vadias, Agrupamento Obscena, Coletivo Paisagens Urbanas, Baque de Mina, Espaço Comum Luiz Estrela, Negras Ativas… Buscamos incentivar outras formas de linguagem, como o deboche e as fantasias, tornando as manifestações um espaço lúdico que estimulasse a liberdade e o questionamento de papeis de gênero.

Sem ignorar que algumas de nós já não vínhamos dispondo de tempo e energia para se dedicar à agenda da Marcha, e, com isso, não pudemos comparecer a todos debates presenciais, as tensões que temos encontrado nas tentativas de diálogo na Marcha das Vadias Belo Horizonte dos últimos meses evidenciaram que as participantes atuais não estão de acordo com os valores que orientaram o coletivo até então.

Não cabe aqui fazer a retrospectiva dessa dificuldade de diálogo entre todas as pessoas que participam do grupo de organização do coletivo. Podemos resumir a questão a uma postagem recente em que houve um posicionamento explícito das novas integrantes: ignoraram a construção anterior, criticaram as antigas administradoras da página da Marcha das Vadias BH, demonstraram ignorância a respeito dos critérios que sempre foram utilizados para incluir moderadoras e optaram por implantar uma nova política editorial em relação ao conteúdo a ser divulgado.

Não há informações claras sobre qual é essa nova política, embora perceba-se a mudança de enfoque: a página vem sendo alimentada com conteúdo que reforça a vitimização das mulheres, além de comentários transfóbicos e desinformação sobre exploração sexual e prostituição. Nota-se uma tentativa de hierarquizar situações de violência para privilegiar uma ideia de sororidade polarizada e maniqueísta, pautada na androfobia, transfobia e silenciamento das discordâncias. Isso dificulta o diálogo com outros setores da sociedade, excluindo diversas perspectivas, igualmente válidas, sobre identidade e igualdade de gênero, políticas anti-discriminação e respeito aos direitos de todas as mulheres.

Consideramos que a falta de explicações mais claras sobre a nova política editorial, a tendência a segregar algumas mulheres, a apartar quem expressa discordância a ideias, a reforçar a vitimização das mulheres e a tratar homens como necessariamente agressores ou inimigos – ignorando os debates prévios no grupo acerca de binarismos, identidade de gênero e diálogo com homens – são condutas que não estão de acordo com os valores que nortearam, até então, a criação da Marcha das Vadias de Belo Horizonte.

Se, por um lado, entendemos que divergências, mais que bem-vindas, são necessárias à construção de um grupo de luta que se pretenda múltiplo e polifônico, por outro, consideramos que a existência de qualquer coletivo deva também estar alicerçada em pilares ideológicos comuns, cenário que não pode ser vislumbrado neste momento.

Assim, após quatro anos contribuindo para a construção do movimento, optamos por nos desvincular do seu núcleo de organização, por não estarmos de acordo com as diretrizes que vem sendo propostas.

Nossa luta continua – seja em outros coletivos dos quais fazemos parte, seja nas nossas trajetórias individuais – na busca por mais liberdade, vadiagem e um feminismo que ultrapasse os binarismos de gênero.

Adriana Torres
Cynthia Semíramis
Débora Vieira
Renata de Oliveira Lima

Publicado originalmente no Facebook em 02 de julho de 2014.

Novidades

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Mil coisas pra falar, outras mil acontecendo ao mesmo tempo, e não tenho tido tempo para atualizar os blogs. Minha vida online está restrita aos links que me mandam no Twitter e, vez por outra, a responder algumas perguntinhas no Formspring.

Adorei 2009: bons empregos, ótimos amigos por perto (com todos tendo muito sucesso em suas atividades), e grandes mudanças. Algumas são públicas e merecem ser compartilhadas aqui:

  • A palestra que fiz em julho no Conselho Federal de Psciologia, falando sobre sobre a exploração da imagem da mulher, homem, criança e adolescente na mídia, virou capítulo de livro. Está disponível em duas versões: uma é o PDF contendo apenas o meu artigo, e a outra é o livro completo.
  • Cheguei à conclusão que estava precisando ampliar meus conhecimentos na área de Ciências Sociais pra melhorar minha atuação profissional, e resolvi fazer concurso para a graduação da UFMG. Não quis fazer o vestibular normal por pura falta de tempo e de paciência pra estudar física, química e biologia, então acabei fazendo o concurso de obtenção de novo título. Eu não contava com uma concorrência muito mais acirrada do que a do vestibular normal, nem esperava tantos imprevistos como os que tive em dezembro, e já havia esquecido o quanto é cansativo passar quatro dias por conta de provas abertas de vestibular. Mas no final, deu tudo certo, e fui aprovada em 2º lugar para o curso de Ciências Sociais da UFMG

Ou seja, somando o trabalho e a graduação (as aulas começam em março, mas a burocracia pré-matrícula já começou), o meu tempo online vai diminuir mais ainda. Sugiro que me acompanhem no Twitter pra saberem as novidades, ou me mandem email (está aí na coluna da direita, mas vou repetir: cynthiasemiramis no gmail.com).

Especificamente para as mulheres de BH e região, não deixem de participar do grupo regional LuluzinhaCamp-mg. Já temos o calendário de encontros oficiais 2010, e os encontros extra-oficiais estão ótimos.

Seis coisas sobre mim

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Depois de me surpreender com o Idelber (torcer – mesmo um dia – pro ex-Ipiranga? hahaha), achei que poderia ser interessante pra quem mal me conhece saber algumas curiosidades sobre mim.

  1. Estudei música a sério. Queria ser violinista. Os cerca de seis anos em que vivi na Escola de Música da UFMG foram fundamentais pra minha formação. Aprendi diversidade, tolerância, respeito, disciplina, coordenação motora, concentração, a manter as unhas curtas, idolatrar música ao vivo, evitar fones de ouvido e sons altos. Exceto pela disciplina, o restante se mantém até hoje.
  2. Tenho uma alergia chata denominada “dermatite de contato”. Metais queimam a minha pele, dão bolhas e abrem feridas. O máximo que consigo usar é titânio (haja $$$) e prata 925 ou superior. Mesmo assim, por pouco tempo. Raramente uso brincos, anéis, pulseiras, colares, e não acho ruim: isso representa uma grande economia no meu orçamento e implica em rapidez na hora de sair de casa, hahaha.
  3. Sou atleticana desde criancinha, mas não me perguntem como defini o time. Não faço a menor idéia. Na minha família, ninguém gosta de futebol
  4. Fui escoteira, e estudei em colégio religioso. Detestei ambos. O escotismo pelo menos serviu pra me ensinar a acampar. A religião não fez efeito, tanto que até hoje eu sou uma ignorante nessa área (estou bem assim, obrigada). E não se enganem: o respeito pela fé alheia não veio do colégio, mas da Escola de Música.
  5. Minha mãe me alfabetizou antes dos 5 anos. Meu pai nunca deixou faltar nada pra ler. Os resultados: sou leitora compulsiva, e nunca lembro de ligar a televisão
  6. Não sou vegetariana, gosto de carne, mas quem pedir vitela na minha mesa vai ouvir discurso digno do PETA e vai ficar sem a vitela.

Quem quiser contar seis curiosidades, fique à vontade.