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IV Seminário Internacional Política e Feminismo

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nepem 30 anos

Hoje tem início na UFMG o IV Seminário Internacional Política e Feminismo. Ele ocorre em homenagem aos 30 anos do Núcleo de estudos e pesquisa sobre a mulher da UFMG (NEPEM), que tem sido fundamental na formação das gerações de feministas.

As atividades ocorrerão em Belo Horizonte, no campus Pampulha da UFMG, entre os dias 10 a 13 de setembro.

Serão 4 conferências (3 internacionais), 12 mesas redondas e um “diálogo intergeracional” que vai reunir mulheres para discutir os 20 anos do processo de Conferência Internacional de Beijing (Pequim), um marco no debate internacional sobre os direitos das mulheres e nas articulações feministas internacionais.

A abertura será feita por Nadine Gasman, Representante do Escritório da ONU Mulheres no Brasil. A equatoriana Magdalena Leon falará sobre Trajetórias teóricas e diversidade de práticas do campo feminista. A argentina Karina Bidaseca fará Conferência sobre Interseccionalidade e diversidade de teorias e práticas no campo feminista. Na Conferência de encerramento, Claudia Junqueira de Lima Costa – da Universidade Federal de Santa Catarina – aborda o tema Descolonizando e despatriarcalizando os corpos, as sociedades e os Estados.

A programação completa inclui conferências interessantíssimas, oficinas e mesas redondas. Vale MUITO acompanhar o evento.

Eu participo da mesa redonda 8, sobre Feminismos e Ativismos 2.0, junto com a Bruna Provazi (InterAgentes Comunicação Digital), Juliana de Faria Kenski (Campanha Chega de Fiu Fiu) e Natalia Duarte (UFMG). Nos encontraremos na sexta-feira, dia 12 de setembro, 8:30 da manhã. Compareçam!

Carta aberta à vadiagem de BH

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Desde 2011 construímos e participamos da Marcha das Vadias de Belo Horizonte em uma perspectiva feminista, polifônica, pautada e conduzida por mulheres, com ajuda e apoio de homens. Nosso interesse sempre foi o combate ao senso comum que atribui a culpa à mulher (especialmente pela violência sexual), e também visibilizar questões relacionadas aos direitos e à violência contra prostitutas, contra mulheres negras, lésbicas e transexuais.

Nesse processo procuramos estimular um espaço horizontal e transparente, calcado no respeito e na diversidade. Partimos sempre da percepção de liberdade sexual, autonomia e respeito, bem como da inclusão e diálogo com outros setores. Procuramos o desenvolvimento de atividades em conjunto com diversos coletivos tais como APROSMIG, Palhaças Vadias, Agrupamento Obscena, Coletivo Paisagens Urbanas, Baque de Mina, Espaço Comum Luiz Estrela, Negras Ativas… Buscamos incentivar outras formas de linguagem, como o deboche e as fantasias, tornando as manifestações um espaço lúdico que estimulasse a liberdade e o questionamento de papeis de gênero.

Sem ignorar que algumas de nós já não vínhamos dispondo de tempo e energia para se dedicar à agenda da Marcha, e, com isso, não pudemos comparecer a todos debates presenciais, as tensões que temos encontrado nas tentativas de diálogo na Marcha das Vadias Belo Horizonte dos últimos meses evidenciaram que as participantes atuais não estão de acordo com os valores que orientaram o coletivo até então.

Não cabe aqui fazer a retrospectiva dessa dificuldade de diálogo entre todas as pessoas que participam do grupo de organização do coletivo. Podemos resumir a questão a uma postagem recente em que houve um posicionamento explícito das novas integrantes: ignoraram a construção anterior, criticaram as antigas administradoras da página da Marcha das Vadias BH, demonstraram ignorância a respeito dos critérios que sempre foram utilizados para incluir moderadoras e optaram por implantar uma nova política editorial em relação ao conteúdo a ser divulgado.

Não há informações claras sobre qual é essa nova política, embora perceba-se a mudança de enfoque: a página vem sendo alimentada com conteúdo que reforça a vitimização das mulheres, além de comentários transfóbicos e desinformação sobre exploração sexual e prostituição. Nota-se uma tentativa de hierarquizar situações de violência para privilegiar uma ideia de sororidade polarizada e maniqueísta, pautada na androfobia, transfobia e silenciamento das discordâncias. Isso dificulta o diálogo com outros setores da sociedade, excluindo diversas perspectivas, igualmente válidas, sobre identidade e igualdade de gênero, políticas anti-discriminação e respeito aos direitos de todas as mulheres.

Consideramos que a falta de explicações mais claras sobre a nova política editorial, a tendência a segregar algumas mulheres, a apartar quem expressa discordância a ideias, a reforçar a vitimização das mulheres e a tratar homens como necessariamente agressores ou inimigos – ignorando os debates prévios no grupo acerca de binarismos, identidade de gênero e diálogo com homens – são condutas que não estão de acordo com os valores que nortearam, até então, a criação da Marcha das Vadias de Belo Horizonte.

Se, por um lado, entendemos que divergências, mais que bem-vindas, são necessárias à construção de um grupo de luta que se pretenda múltiplo e polifônico, por outro, consideramos que a existência de qualquer coletivo deva também estar alicerçada em pilares ideológicos comuns, cenário que não pode ser vislumbrado neste momento.

Assim, após quatro anos contribuindo para a construção do movimento, optamos por nos desvincular do seu núcleo de organização, por não estarmos de acordo com as diretrizes que vem sendo propostas.

Nossa luta continua – seja em outros coletivos dos quais fazemos parte, seja nas nossas trajetórias individuais – na busca por mais liberdade, vadiagem e um feminismo que ultrapasse os binarismos de gênero.

Adriana Torres
Cynthia Semíramis
Débora Vieira
Renata de Oliveira Lima

Publicado originalmente no Facebook em 02 de julho de 2014.

Debate sobre prostituição

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prostituição gedfem et al 2013

Durante o segundo semestre de 2013 coordenei o GEDFEM (Grupo de Estudos sobre direito e feminismos) na Faculdade de Direito e Ciências do Estado da UFMG. Estudamos temas relacionados à prostituição sob a perspectiva da antropologia, psicologia e história.

Para encerrar o semestre, nos articulamos com a Marcha das Vadias de BH, Negras Ativas e GT Sexualidade e Gênero do Núcleo da Abrapso BH para fazer um evento no qual pudéssemos conversar e trocar experiências sobre pesquisas e ativismo sobre prostituição.

Foram cerca de 2 horas de uma conversa muito proveitosa entre Letícia Barreto, Vitor Costa, Anyky Lima, Karina Géa, Jozeli Souza, Layza Queiroz, mediadas por mim e por Letícia Gonçalves. A TV UFMG nos acompanhou durante todo o evento.

Marcha das Vadias de BH – edição 2013

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Tivemos Marcha das Vadias em Belo Horizonte no sábado passado, 25 de maio. Antes do evento, fiz um post no Blogueiras Feministas com um FAQ sobre a Marcha, apontando e respondendo as principais dúvidas que ouvi nos últimos meses.

A passeata em si foi maravilhosa e divertida. Apesar da implicância inicial dos policiais e Bhtrans, que não queriam que a gente passasse pela rua Guaicurus (região famosa pela prostituição) para não atrapalhar o trânsito (como se o trânsito em BH não fosse um horror 24h por dia!), fizemos o trajeto previsto (e que já havia sido informado com antecedência aos órgãos competentes – inclusive policiais e Bhtrans) em uma manifestação política fabulosa.

Quer ver fotos da Marcha das Vadias de BH? Veja os álbuns completos no facebook: Marcha das Vadias BH | Túlio Vianna | Zilda Onofri | Bruno Vieira | Helga Almeida | Pais contra o machismo| Bruna Teixeira.

Foi muito bom ver cada vez mais crianças na manifestação, aprendendo desde cedo sobre liberdade e manifestação política. E foi muito interessante ver cada vez mais mulheres jovens protestando, e homens jovens participando ativamente (inclusive questionando papeis de gênero ao usarem saias, saltos e batons). Cada vez mais tenho certeza que a Marcha das Vadias é uma manifestação pela liberdade.

Uma coisa que não gostei é que tem gente comparando homens usando batom e saia na Marcha das Vadias com blackface. Não tem nada a ver! Blackface é uma ofensa, qualquer que seja o contexto, porque tripudia das pessoas negras (que nunca terão os traços da blackface já que esta, por definição, foi criada para ridicularizar pessoas negras). Quando homens usam batom, saia e outros objetos associados ao feminino eles não estão ridicularizando as mulheres: eles quebram um estereótipo, criticam o machismo que diferencia objetos e atitudes em razão de gênero e ainda se libertam, pois experimentam outras possibilidades de existência que vão além dos papéis rígidos de gênero. Criticar os homens por usarem saias é o mesmo que dividir brinquedos entre “de menino” e “de menina”, forçando pessoas a permanecerem presas a papeis de gênero predeterminados. Menos preconceito e mais liberdade, por favor!

Até a estátua da Praça da Estação é muuuuuito vadia!

Até a estátua da Praça da Estação é muuuuuito vadia!

Na hora de fazer os cartazes a gente percebeu que costuma dar um branco, e acabamos perdendo boas ideias. Neste post faço uma compilação das frases que vi em vários cartazes e corpos durante a Marcha das Vadias de BH, sendo que todas podem ser encontradas nos álbuns que indiquei acima.

São cerca de 120 frases e palavras de ordem. Muitas pessoas podem ser mais ortodoxas e achar que Marcha das Vadias é carnaval e não tem caráter político. Pois então recomendo muito que leiam as frases e percebam que há política em cada linha, e há manifestações fortes, irreverentes, sérias, todas expondo a profundidade das questões políticas atuais, que não se resumem à pauta dos partidos políticos e nem reproduzem a sisudez que se espera de um debate político. Estamos fazendo política, sim, só que é do nosso jeito 😉

Minha vida é essa: vadiar na Bahia, vadiar na Floresta
Feliciano não representa as mulheres livres
Quer peito e coxa? Compra frango!
Que nada nos defina. Que nada nos limite.
Eu digo NÃO ao Estatuto do Nascituro
Reprodução não é obrigação
Respeitar o próprio corpo é ser livre
Legalize o orgasmo
Muuuuuuuuuito vadia!
Mulher contra o cis-tema
E daí que eu uso calcinha bege?
Vovô, eu não quero ser machista
Por uma educação não-sexista
Sou minha, só minha, e não de quem quiser
Nem de Deus, nem do Estado
Vadias e lindas
Minha liberdade faz aflorar o seu machismo?
Lugar de mulher é onde ela quiser
Se o corpo é da mulher ela dá pra quem quiser
O seu machismo é indecente, não os meus seios
Chuta a família mineira!
My pussy, my business
Vadia [adj; fem; sing;]: aquela que dirige bem
Aborto legal para não morrer
Feminismo é a noção radical de que mulheres são gente
Olhou? Guarde seu comentário
Minha buceta é o poder
Somos todas vadias
Meu corpo, minhas regras
Meu cabelo não é ruim; ruim é o seu preconceito
Queremos legalização da prostituição
Respeito é bom e todas gozam
Vadia contra homofobia
Quero borrar meu batom e não o meu rímel
Eu não vim da sua costela; você que veio do meu útero
Vadio, logo existo
Não sou produto
Seu machismo não serve pra nada
Peitos livres já!
Me deixa gozar
Não cague regras pro meu corpo nem pro meu comportamento
Todas somos vadias
Tirem os rosários dos nossos ovários
Moça, deixe o feminismo te libertar
Sou vadia porque dei? Conte-me como você nasceu
Aborto legal, livre, seguro e gratuito
Tire seus padrões do meu corpo
Não sou um pedaço de carne
Irritei um machista? Hum… que delícia
Meu respeito por um homem não depende da roupa que ele usa
Ensinem os homens a respeitar e não as mulheres a temer
Sou homem, sou vadia, sou feminista
Corpo livre, cabeça feita
Sou livre, sou vadia
Abra sua mente, vadia também é gente
A Globo também me estupra
Não foi a roupa, não foi a hora, não foi o lugar: nada justifica uma agressão
Vá (de) dia, Vá de noite: vá quando quiser, com quem quiser e como quiser
Reciclem seus papéis de gênero: sejam livres!
Aborto é questão de saúde pública, não de religião
Minha beleza não tem padrão
Deus ama quem dá com alegria
Este corpo moreno da cor do pecado é pra ser respeitado
Macho, não machista
Rabão quem tem é pavão! Minha bunda não é propriedade pública
Fora PSC: cristianismo não combina com democracia
Desculpe o transtorno: estamos trabalhando contra o patriarcado
Devo me guardar… por quê? até quando? Pra quê? Sou livre!
Mais amor, menos Feliciano
Mesmo soFrida nunca me Kahlo
Respeito é bom e a gente goza
Marx é a mais-vadia
Elas que nos fodam
E já que não me entendem, não me julguem não me violentem
Toda maneira de amar vale a pena
Queremos igualdade na teoria e na prática
Não pretendo ser cavalheiro, prefiro ser gentil
Quero andar sozinha à noite sem medo
Liberte-se!
Estado Laico = Mulheres LIVRES
Meu corpo não te pertence
Eu que mando nessa porra
Dou como, quando e pra quem eu quiser
Cantada de rua = bullying
Don’t panic: somos todas vadias
Liberdade para todas as mulheres
A cor do pecado tem a cor do seu racismo
Quadradinho de oito
Sou prostituta e exijo respeito
Se ela disse NÃO ela quer dizer NÃO
Ela goza com a mão, não precisa do seu pau
Se ser divorciada é ser vadia, eu sou vadia
Se questionar, criticar e lutar é ser vadia, então eu sou vadia
Eu também posso lavar louça
O feminismo me liberta também
Igualdade perante a lei e também perante a vida
Violência psicológica destroi a alma
Eu visto a roupa que EU quiser
Pais contra o machismo
Cansei de ser inspiração, agora sou eu a autora
A palavra vadia te assusta? E a violência contra a mulher?
Nenhum silêncio é útil contra a violência e o assédio nas ruas
Se ser cachorra é ser livre, então late que eu tô passando
Meu não NÃO QUER dizer sim
Quem tem valor é coisa: eu sou PESSOA e tenho caráter
Tirem seus rosários dos nossos ovários!
Minha saia curta não tem nada a ver com você
Elas podem estar peladas e estão cobertas de razão
Se eu posso, ela também pode
Feminismo não é o contrário de machismo
Não me calarei: machismo mata
Sou gorda, sim. E daí?
Julgar a vítima de violência também é agressão
A vida é minha
Seu machismo não serve pra nada
Não me enquadrem!
A culpa não foi minha!
Pouca roupa, muita roupa: sempre repressão
Amar é opcional, respeitar é obrigação
Bonita é a mulher que luta
Sexo frágil é o caralho
Pinto não é arma
Tudo puta e viado
A putaria é tão legítima quanto o amor
Homem feminista e vadio
Marcho pelo direito de todas as mulheres: nascidas, travestidas, transformadas
Vadia sim
Eu sou magia. Eu sou vadia.
Quero te dar. Gosto de trepar. Amo gozar.
Ame seu corpo
Homem inteligente é homem feminista
Sexo sem compromisso: eu também posso
Girls just wanna have fun!