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Estupro, civilidade e respeito à vítima

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Ainda chocada com as notícias dos estupros coletivos de ontem, tanto do Piauí quanto do Rio de Janeiro. O caso do Rio choca mais pelo grau de sordidez.

Tenho evitado mais notícias, até em respeito à vítima, e fico feliz que minha timeline do facebook também seja mais cautelosa. Mas mesmo assim ainda vejo comentários tentando colocar a culpa na adolescente, tentando justificar o estupro, ou tentando negar que vivemos em uma cultura que tolera e tenta justificar violência sexual contra mulheres.

Obviamente, espero que os estupradores sejam encontrados e punidos. Mas punidos pela legislação vigente, e não com escrachos, linchamentos, perseguição ou outros estupros (tanto dos agressores ou de mulheres de suas famílias – porque, dada a reação emocional ao estupro, não duvido nada que vá ter gente defendendo que a agressão se estenda às familiares). De barbárie já basta a que os estupradores cometeram.

Se os estupradores são de uma comunidade, pouco importa. Não interessa se ouvem funk, mpb ou música religiosa. Não importa como a adolescente se vestia ou o que fazia. Também não importam as fofocas sobre supostas vingança e traição: não existe no Brasil nada na legislação que autorize uma “pena de estupro”.

O que importa é que houve um estupro coletivo, planejado, e os estupradores não tiveram sequer o cuidado de esconder que praticaram o crime. Pelo contrário, se orgulharam em divulgá-lo. Esses comportamentos precisam ser coibidos. E pra coibir o primeiro passo é parar de tentar justificar o estupro cometido. O segundo é punir os estupradores.

Estupro é violência, é humilhação, e não deve ser tolerado jamais. Nenhuma pessoa merece ser estuprada. E nenhuma mulher merece ser estuprada nem julgada por ter sido estuprada. Este é um princípio básico de civilidade que precisa ser consolidado urgentemente.

[publicado originalmente no Facebook em 26/05/2016]

Há uma matéria bastante completa no UOL Tab sobre combate aos estupros, e conta com breve participação minha.
Leia também outros artigos meus sobre violência contra mulheres:

Carta aberta à vadiagem de BH

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Desde 2011 construímos e participamos da Marcha das Vadias de Belo Horizonte em uma perspectiva feminista, polifônica, pautada e conduzida por mulheres, com ajuda e apoio de homens. Nosso interesse sempre foi o combate ao senso comum que atribui a culpa à mulher (especialmente pela violência sexual), e também visibilizar questões relacionadas aos direitos e à violência contra prostitutas, contra mulheres negras, lésbicas e transexuais.

Nesse processo procuramos estimular um espaço horizontal e transparente, calcado no respeito e na diversidade. Partimos sempre da percepção de liberdade sexual, autonomia e respeito, bem como da inclusão e diálogo com outros setores. Procuramos o desenvolvimento de atividades em conjunto com diversos coletivos tais como APROSMIG, Palhaças Vadias, Agrupamento Obscena, Coletivo Paisagens Urbanas, Baque de Mina, Espaço Comum Luiz Estrela, Negras Ativas… Buscamos incentivar outras formas de linguagem, como o deboche e as fantasias, tornando as manifestações um espaço lúdico que estimulasse a liberdade e o questionamento de papeis de gênero.

Sem ignorar que algumas de nós já não vínhamos dispondo de tempo e energia para se dedicar à agenda da Marcha, e, com isso, não pudemos comparecer a todos debates presenciais, as tensões que temos encontrado nas tentativas de diálogo na Marcha das Vadias Belo Horizonte dos últimos meses evidenciaram que as participantes atuais não estão de acordo com os valores que orientaram o coletivo até então.

Não cabe aqui fazer a retrospectiva dessa dificuldade de diálogo entre todas as pessoas que participam do grupo de organização do coletivo. Podemos resumir a questão a uma postagem recente em que houve um posicionamento explícito das novas integrantes: ignoraram a construção anterior, criticaram as antigas administradoras da página da Marcha das Vadias BH, demonstraram ignorância a respeito dos critérios que sempre foram utilizados para incluir moderadoras e optaram por implantar uma nova política editorial em relação ao conteúdo a ser divulgado.

Não há informações claras sobre qual é essa nova política, embora perceba-se a mudança de enfoque: a página vem sendo alimentada com conteúdo que reforça a vitimização das mulheres, além de comentários transfóbicos e desinformação sobre exploração sexual e prostituição. Nota-se uma tentativa de hierarquizar situações de violência para privilegiar uma ideia de sororidade polarizada e maniqueísta, pautada na androfobia, transfobia e silenciamento das discordâncias. Isso dificulta o diálogo com outros setores da sociedade, excluindo diversas perspectivas, igualmente válidas, sobre identidade e igualdade de gênero, políticas anti-discriminação e respeito aos direitos de todas as mulheres.

Consideramos que a falta de explicações mais claras sobre a nova política editorial, a tendência a segregar algumas mulheres, a apartar quem expressa discordância a ideias, a reforçar a vitimização das mulheres e a tratar homens como necessariamente agressores ou inimigos – ignorando os debates prévios no grupo acerca de binarismos, identidade de gênero e diálogo com homens – são condutas que não estão de acordo com os valores que nortearam, até então, a criação da Marcha das Vadias de Belo Horizonte.

Se, por um lado, entendemos que divergências, mais que bem-vindas, são necessárias à construção de um grupo de luta que se pretenda múltiplo e polifônico, por outro, consideramos que a existência de qualquer coletivo deva também estar alicerçada em pilares ideológicos comuns, cenário que não pode ser vislumbrado neste momento.

Assim, após quatro anos contribuindo para a construção do movimento, optamos por nos desvincular do seu núcleo de organização, por não estarmos de acordo com as diretrizes que vem sendo propostas.

Nossa luta continua – seja em outros coletivos dos quais fazemos parte, seja nas nossas trajetórias individuais – na busca por mais liberdade, vadiagem e um feminismo que ultrapasse os binarismos de gênero.

Adriana Torres
Cynthia Semíramis
Débora Vieira
Renata de Oliveira Lima

Publicado originalmente no Facebook em 02 de julho de 2014.

Feminismos, protagonismo e manipulação política

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Estou bem chocada com uma situação bizarra que está acontecendo aqui em Belo Horizonte. Um rapaz tirou foto apoiando a Marcha das Vadias de BH. A foto dele recebeu comentários extremamente agressivos e ele foi acusado de estar roubando o protagonismo da Marcha. Me expliquem: como que UMA FOTO de um apoiador pode ser encarada como roubo de protagonismo?

Como se não bastasse essa supervalorização da foto, ela foi colocada em uma montagem com a seguinte frase: “Vou tirar delas a única coisa que elas ainda têm: o protagonismo em seus movimentos“.

Atribuíram ao rapaz a intenção deliberada de usurpar o protagonismo das mulheres no movimento feminista. Ou seja, quem INVENTOU que ele era protagonista ESCOLHEU a foto dele pra protagonista e ampliou o discurso para virar uma oposição homens x mulheres, sendo os homens os vilões e as mulheres as mocinhas, vítimas indefesas.

Tem uma série de problemas nesse discurso:

1. a frase da fotomontagem parte da ideia de que mulheres não obtiveram até hoje nenhuma melhora em suas vidas, o movimento feminista é pra reivindicar, reivindicar, e só. Isso é MENTIRA. Nós, feministas, conquistamos DIREITOS para mulheres. Muitos. Nunca foi tão bom ser mulher: houve época que não éramos nem sujeitos de direito, não podíamos estudar, divorciar, ter guarda dos filhos, liberdade sexual, direitos trabalhistas. Temos muito pra melhorar e ampliar nossos direitos ainda (e taí o movimento feminista agindo pra mudar isso) mas daí a ignorar todas as conquistas feministas das últimas décadas vai uma longa distância. E é disseminar ignorância fingir que não conquistamos nada.

2. Homens como opressores e mulheres como vítimas. Esse é o raciocínio conservador, que retira das mulheres a capacidade de agência. Aí mulheres são reconhecidas apenas quando são vítimas. É uma pena que parte do movimento feminista venha trabalhando somente com essa hipótese, perdendo de vista as nuances que tornam seres humanos tão interessantes e complexos. Homens não são necessariamente vilões, mulheres não são necessariamente vítimas ou boazinhas. Seres humanos são complexos e têm intenções nem sempre tão evidentes assim, que podem tranquilamente ser mascaradas (sério que vocês nunca viram um homem que é agressivo para esconder fragilidade ou uma mulher que se faz de vítima para ter direitos reconhecidos?) Raciocínio feminista é exatamente o oposto: mulheres não são vítimas da sociedade, elas têm capacidade de decidir o que fazer com suas vidas e direcionar suas lutas.

3. Homem sempre como o opressor. É a continuação do raciocínio anterior. Tratar homens como opressores, manipuladores e inimigos a priori rotula as partes e impede o diálogo e a mudança de mentalidade. Isso não ajuda em nada a ampliar o debate sobre discriminação de gênero. Mas atende muito bem a quem quer brincar de novela e criar um inimigo pra ser combatido. Gostaria muito que se lembrassem que não é tudo tão fixo assim: a resistência à reivindicação de direitos existe tanto por parte de homens quanto de mulheres. E as conquistas de direitos das mulheres sempre tiveram apoio masculino (muitas vezes, eram somente eles decidindo, como no direito de voto feminino). Enquanto parte do movimento feminista ficar na presunção de que homem é sempre opressor não vai ter diálogo nem mudança de mentalidade ou conquista de direitos. Ou seja, um mundo muito pior pras mulheres. É esse o objetivo? Espero que não.

Enfim: protagonismo é um processo LENTO de construção. E é preocupante que feministas vejam uma foto de um homem apoiando o movimento e O ELEJAM para protagonista, apenas para criticá-lo. Linchar um pretenso inimigo desvia o foco do que realmente interessa, que são os direitos das mulheres. E não é nada bonito acusar os homens de manipuladores quando o que se está fazendo é manipular uma foto, retirando-a de contexto, para criar um bode expiatório.

Não sei a quem interessa essa confusão, mas certamente, não contribuiu em nada para mudarmos a mentalidade e melhorarmos a discussão sobre direitos das mulheres.

Publicado originalmente no Facebook em 25 de maio de 2014

Respondendo dúvidas sobre a Marcha das Vadias

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Marcha das Vadias 2014 em Belo Horizonte: concentração na Praça da Rodoviária às 13h.

Marcha das Vadias 2014 em Belo Horizonte: concentração na Praça da Rodoviária às 13h.

Nesta semana várias cidades receberão a Marcha das Vadias. Trata-se de uma manifestação feminista reivindicando liberdade e uma vida com menos violência para as mulheres. Porém, como tenho visto muitas dúvidas sobre a Marcha, achei adequado fazer uma listinha esclarecendo as questões que mais tenho ouvido nas últimas semanas. Se tiverem outras dúvidas, postem nos comentários.

Afinal, Marcha das Vadias é sobre violência ou sobre liberdade?
Esta não é uma questão simples de responder, pois ainda não há consenso entre as participantes. Eu defendo que se trata de uma manifestação pela liberdade das mulheres. A violência contra mulheres decorre dessa liberdade: é usada para constranger mulheres a negarem seus desejos e sua liberdade, caracterizando a cultura do estupro. E sem liberdade para as mulheres não há como ter igualdade entre mulheres e homens.

Com que roupa eu devo ir na Marcha das Vadias?
Com a roupa que você quiser. A Marcha se originou em protesto a um policial que queria negar proteção estatal a mulheres por conta de suas roupas, como se a violência ocorresse por conta das roupas, e não da relação de poder que se estabelece entre agressor e vítima. Defendemos a ideia de que você não pode sofrer violência, não importa qual roupa esteja usando, ou qual seja seu comportamento. Marcha das vadias é sobre liberdade para as mulheres e isso inclui liberdade para dizer NÃO, para escolher com quem vai se relacionar, para escolher que roupa vai usar, inclusive na passeata, e se quer tirá – la ou não. A escolha é sua, não é obrigada a fazer nada. Portanto, exerça sua liberdade de usar a roupa que quiser e com a qual se sentir melhor.

Eu tenho de tirar a roupa durante a passeata?
Não. A Marcha das Vadias é uma manifestação pela liberdade: pela SUA liberdade. Você faz o que quiser. Se quer fazer topless, tudo bem. Se não quer tirar a roupa, tudo bem. Se mudar de ideia, tudo bem também. O corpo é seu, a decisão é sua e ninguém tem o direito de obrigá-la a fazer nada.

Por que só vejo fotos da Marcha das Vadias com mulheres sem roupa?
Porque a grande mídia prefere divulgar apenas essas fotos. A Marcha das Vadias é muito mais que isso: são centenas de participantes, sendo que é uma minoria que opta – legitimamente – por tirar a roupa ou parte dela. Alguns exemplos: coletânea de imagens no Google e álbuns no facebook: Brasília | Belo Horizonte | Porto Alegre]. Todas essas imagens mostram a diversidade de participantes da Marcha das Vadias e de suas performances. São os portais atrás de cliques e anunciantes que praticam o jornalismo punheteiro e divulgam apenas as fotos de topless, reduzindo a diversidade e amplitude do evento.

Por que usar o termo vadia?
É uma forma de resignificar o termo e expor os preconceitos, machismo e moralismo que estão embutidos nele. “Vadia” é um termo usado de forma pejorativa para criticar somente mulheres (homens não são considerados vadios!) e constrangê-las a assumir um papel de gênero bastante restritivo. As mulheres ainda são ensinadas a não serem vadias, que isso é “repulsivo” e “inadequado”. Porém, no fim das contas, somos todas vadias: basta a mulher fazer algo que não agrada às pessoas para ser chamada de vadia, mesmo que ela esteja com a razão. É contra essa cultura misógina que estamos lutando porque legitima violência e fere a liberdade das mulheres de serem quem desejam ser.

Eu não conheço ninguém, posso ir mesmo assim?
Claro que pode! E vai (re)conhecer pessoas que pensam como você e estão interessadas em se libertar das amarras que limitam a liberdade das mulheres. Várias marchas têm oficina de cartazes, e esse é um ótimo momento para conhecer mais gente e se enturmar.

Homens podem participar?
Sim! Todas as pessoas que lutam pela liberdade e pelo fim dos papeis de gênero são bem-vindas, independente de identidade de gênero, orientação sexual, raça, etnia… não se acanhe e venha participar com a gente. Embora o ponto de partida da marcha, e boa parte das discussões, envolvam denunciar a violência contra mulheres, estamos falando de liberdade, e liberdade é para todxs nós!

Onde vai ter a Marcha das Vadias? E quando?
Boa parte das manifestações está marcada para o próximo dia 24 de maio, embora algumas cidades adotem outras datas. Recomendo que procure no facebook (que é a mídia da vez) informações sobre a marcha em sua região. A Marcha das Vadias de Belo Horizonte será no dia 24 de maio, a partir das 13h. A concentração ocorrerá na Praça da Rodoviária.

Tenho vergonha de ser chamada de vadia e não quero me associar a um movimento com esse nome. Sou machista?
Não necessariamente. Você pode ser conservadora e obediente às prescrições sociais, ou ser uma privilegiada que nunca enfrentou episódios machistas, ou alguém mais tímida e retraída, que não gosta de chamar a atenção ou ser rotulada. Ou – infelizmente – pode ser puramente machista mesmo e achar que mulher tem mais é que ficar quietinha no canto obedecendo aos homens. O que faz a diferença é a forma como você age. É uma pena que você não queira participar de uma manifestação tão divertida, irreverente e libertadora quanto a Marcha das Vadias. Mas se não quer ajudar ou participar, não atrapalhe. Leia e se informe sobre a marcha, sobre o que estamos falando em relação a liberdade e igualdade, sobre feminismo (você vai se surpreender ao descobrir que é mais feminista do que imagina, sobre não julgar as escolhas das outras pessoas. Pense como pode ajudar a melhorar a vida das meninas e mulheres ao seu redor (inclusive quebrar preconceitos para melhorar a sua vida). O que importa é agir para tornar o mundo mais livre e menos cruel com as mulheres. A Marcha das Vadias é uma das formas de lutar contra o machismo. Existem outras, descubra qual a mais adequada pra sua personalidade e seus desejos.

Quero saber mais sobre a Marcha das Vadias. Quais textos vocês indicam?
No Blogueiras Feministas tem uma série de posts sobre a Marcha das Vadias. E os dois manifestos [2011 | 2012] da Marcha de Brasília são bastante esclarecedores. Há também uma coletânea de links aqui no meu blog.

Marcha das Vadias de BH – edição 2013

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Tivemos Marcha das Vadias em Belo Horizonte no sábado passado, 25 de maio. Antes do evento, fiz um post no Blogueiras Feministas com um FAQ sobre a Marcha, apontando e respondendo as principais dúvidas que ouvi nos últimos meses.

A passeata em si foi maravilhosa e divertida. Apesar da implicância inicial dos policiais e Bhtrans, que não queriam que a gente passasse pela rua Guaicurus (região famosa pela prostituição) para não atrapalhar o trânsito (como se o trânsito em BH não fosse um horror 24h por dia!), fizemos o trajeto previsto (e que já havia sido informado com antecedência aos órgãos competentes – inclusive policiais e Bhtrans) em uma manifestação política fabulosa.

Quer ver fotos da Marcha das Vadias de BH? Veja os álbuns completos no facebook: Marcha das Vadias BH | Túlio Vianna | Zilda Onofri | Bruno Vieira | Helga Almeida | Pais contra o machismo| Bruna Teixeira.

Foi muito bom ver cada vez mais crianças na manifestação, aprendendo desde cedo sobre liberdade e manifestação política. E foi muito interessante ver cada vez mais mulheres jovens protestando, e homens jovens participando ativamente (inclusive questionando papeis de gênero ao usarem saias, saltos e batons). Cada vez mais tenho certeza que a Marcha das Vadias é uma manifestação pela liberdade.

Uma coisa que não gostei é que tem gente comparando homens usando batom e saia na Marcha das Vadias com blackface. Não tem nada a ver! Blackface é uma ofensa, qualquer que seja o contexto, porque tripudia das pessoas negras (que nunca terão os traços da blackface já que esta, por definição, foi criada para ridicularizar pessoas negras). Quando homens usam batom, saia e outros objetos associados ao feminino eles não estão ridicularizando as mulheres: eles quebram um estereótipo, criticam o machismo que diferencia objetos e atitudes em razão de gênero e ainda se libertam, pois experimentam outras possibilidades de existência que vão além dos papéis rígidos de gênero. Criticar os homens por usarem saias é o mesmo que dividir brinquedos entre “de menino” e “de menina”, forçando pessoas a permanecerem presas a papeis de gênero predeterminados. Menos preconceito e mais liberdade, por favor!

Até a estátua da Praça da Estação é muuuuuito vadia!

Até a estátua da Praça da Estação é muuuuuito vadia!

Na hora de fazer os cartazes a gente percebeu que costuma dar um branco, e acabamos perdendo boas ideias. Neste post faço uma compilação das frases que vi em vários cartazes e corpos durante a Marcha das Vadias de BH, sendo que todas podem ser encontradas nos álbuns que indiquei acima.

São cerca de 120 frases e palavras de ordem. Muitas pessoas podem ser mais ortodoxas e achar que Marcha das Vadias é carnaval e não tem caráter político. Pois então recomendo muito que leiam as frases e percebam que há política em cada linha, e há manifestações fortes, irreverentes, sérias, todas expondo a profundidade das questões políticas atuais, que não se resumem à pauta dos partidos políticos e nem reproduzem a sisudez que se espera de um debate político. Estamos fazendo política, sim, só que é do nosso jeito 😉

Minha vida é essa: vadiar na Bahia, vadiar na Floresta
Feliciano não representa as mulheres livres
Quer peito e coxa? Compra frango!
Que nada nos defina. Que nada nos limite.
Eu digo NÃO ao Estatuto do Nascituro
Reprodução não é obrigação
Respeitar o próprio corpo é ser livre
Legalize o orgasmo
Muuuuuuuuuito vadia!
Mulher contra o cis-tema
E daí que eu uso calcinha bege?
Vovô, eu não quero ser machista
Por uma educação não-sexista
Sou minha, só minha, e não de quem quiser
Nem de Deus, nem do Estado
Vadias e lindas
Minha liberdade faz aflorar o seu machismo?
Lugar de mulher é onde ela quiser
Se o corpo é da mulher ela dá pra quem quiser
O seu machismo é indecente, não os meus seios
Chuta a família mineira!
My pussy, my business
Vadia [adj; fem; sing;]: aquela que dirige bem
Aborto legal para não morrer
Feminismo é a noção radical de que mulheres são gente
Olhou? Guarde seu comentário
Minha buceta é o poder
Somos todas vadias
Meu corpo, minhas regras
Meu cabelo não é ruim; ruim é o seu preconceito
Queremos legalização da prostituição
Respeito é bom e todas gozam
Vadia contra homofobia
Quero borrar meu batom e não o meu rímel
Eu não vim da sua costela; você que veio do meu útero
Vadio, logo existo
Não sou produto
Seu machismo não serve pra nada
Peitos livres já!
Me deixa gozar
Não cague regras pro meu corpo nem pro meu comportamento
Todas somos vadias
Tirem os rosários dos nossos ovários
Moça, deixe o feminismo te libertar
Sou vadia porque dei? Conte-me como você nasceu
Aborto legal, livre, seguro e gratuito
Tire seus padrões do meu corpo
Não sou um pedaço de carne
Irritei um machista? Hum… que delícia
Meu respeito por um homem não depende da roupa que ele usa
Ensinem os homens a respeitar e não as mulheres a temer
Sou homem, sou vadia, sou feminista
Corpo livre, cabeça feita
Sou livre, sou vadia
Abra sua mente, vadia também é gente
A Globo também me estupra
Não foi a roupa, não foi a hora, não foi o lugar: nada justifica uma agressão
Vá (de) dia, Vá de noite: vá quando quiser, com quem quiser e como quiser
Reciclem seus papéis de gênero: sejam livres!
Aborto é questão de saúde pública, não de religião
Minha beleza não tem padrão
Deus ama quem dá com alegria
Este corpo moreno da cor do pecado é pra ser respeitado
Macho, não machista
Rabão quem tem é pavão! Minha bunda não é propriedade pública
Fora PSC: cristianismo não combina com democracia
Desculpe o transtorno: estamos trabalhando contra o patriarcado
Devo me guardar… por quê? até quando? Pra quê? Sou livre!
Mais amor, menos Feliciano
Mesmo soFrida nunca me Kahlo
Respeito é bom e a gente goza
Marx é a mais-vadia
Elas que nos fodam
E já que não me entendem, não me julguem não me violentem
Toda maneira de amar vale a pena
Queremos igualdade na teoria e na prática
Não pretendo ser cavalheiro, prefiro ser gentil
Quero andar sozinha à noite sem medo
Liberte-se!
Estado Laico = Mulheres LIVRES
Meu corpo não te pertence
Eu que mando nessa porra
Dou como, quando e pra quem eu quiser
Cantada de rua = bullying
Don’t panic: somos todas vadias
Liberdade para todas as mulheres
A cor do pecado tem a cor do seu racismo
Quadradinho de oito
Sou prostituta e exijo respeito
Se ela disse NÃO ela quer dizer NÃO
Ela goza com a mão, não precisa do seu pau
Se ser divorciada é ser vadia, eu sou vadia
Se questionar, criticar e lutar é ser vadia, então eu sou vadia
Eu também posso lavar louça
O feminismo me liberta também
Igualdade perante a lei e também perante a vida
Violência psicológica destroi a alma
Eu visto a roupa que EU quiser
Pais contra o machismo
Cansei de ser inspiração, agora sou eu a autora
A palavra vadia te assusta? E a violência contra a mulher?
Nenhum silêncio é útil contra a violência e o assédio nas ruas
Se ser cachorra é ser livre, então late que eu tô passando
Meu não NÃO QUER dizer sim
Quem tem valor é coisa: eu sou PESSOA e tenho caráter
Tirem seus rosários dos nossos ovários!
Minha saia curta não tem nada a ver com você
Elas podem estar peladas e estão cobertas de razão
Se eu posso, ela também pode
Feminismo não é o contrário de machismo
Não me calarei: machismo mata
Sou gorda, sim. E daí?
Julgar a vítima de violência também é agressão
A vida é minha
Seu machismo não serve pra nada
Não me enquadrem!
A culpa não foi minha!
Pouca roupa, muita roupa: sempre repressão
Amar é opcional, respeitar é obrigação
Bonita é a mulher que luta
Sexo frágil é o caralho
Pinto não é arma
Tudo puta e viado
A putaria é tão legítima quanto o amor
Homem feminista e vadio
Marcho pelo direito de todas as mulheres: nascidas, travestidas, transformadas
Vadia sim
Eu sou magia. Eu sou vadia.
Quero te dar. Gosto de trepar. Amo gozar.
Ame seu corpo
Homem inteligente é homem feminista
Sexo sem compromisso: eu também posso
Girls just wanna have fun!